Saúde

Etarismo na ginecologia: como o preconceito médico afeta a saúde de mulheres maduras

Pacientes relatam negligência e julgamentos morais que comprometem o acesso a exames preventivos e cuidados com a saúde sexual na maturidade.

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Redação Automática
8 de maio de 2026 às 04:002 min
Etarismo na ginecologia: como o preconceito médico afeta a saúde de mulheres maduras
Foto: Reprodução
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O preconceito de idade em consultórios médicos desafia a saúde de mulheres maduras, afetando desde a realização de exames preventivos até o acesso a métodos de proteção contra ISTs.

O preconceito baseado na idade, conhecido como etarismo, tem se manifestado de forma preocupante em ambientes de saúde, especificamente em consultórios ginecológicos. Relatos de pacientes indicam que profissionais da área frequentemente negligenciam a saúde sexual e preventiva de mulheres maduras, partindo do pressuposto equivocado de que a partir de certa idade a vida sexual ou os riscos de doenças deixam de existir. Um exemplo claro é a dispensa indevida de exames preventivos, como o Papanicolau, sem a devida análise do histórico clínico da paciente.

De acordo com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreio preventivo para o câncer de colo de útero é prioritário até os 64 anos. A interrupção do exame só é recomendada após essa idade caso a mulher possua pelo menos dois resultados negativos consecutivos nos últimos cinco anos e nenhum histórico de lesões graves nas últimas duas décadas. Ignorar essas normas ou desencorajar o exame precocemente baseando-se apenas na aparência ou idade da paciente compromete a segurança sanitária e a autonomia feminina.

Além da prevenção do câncer, a questão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) também é frequentemente ignorada pelos médicos no atendimento a mulheres acima dos 50 anos. Casos de pacientes que buscaram informações sobre a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) e receberam respostas discriminatórias evidenciam o tabu sobre a sexualidade na maturidade. A PrEP, disponível na rede pública, é uma ferramenta de proteção eficaz para qualquer pessoa com vida sexual ativa, independentemente do gênero ou da faixa etária.

Especialistas reforçam que o acolhimento médico deve ser isento de julgamentos morais e baseado em evidências científicas atualizadas. Enquanto o SUS foca na gestão de saúde pública por faixas etárias específicas para otimização de recursos, no setor privado a tendência ainda é a realização anual de exames. Independentemente do sistema de saúde, o direito à informação e ao tratamento respeitoso permanece essencial para garantir que o envelhecimento não signifique o abandono dos cuidados com a saúde sexual.

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