Saúde

Uso de antibióticos altera equilíbrio intestinal por vários anos, aponta estudo

Pesquisa indica que impacto na flora intestinal pode durar quase uma década e elevar riscos de doenças crônicas.

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Redação Automática
8 de maio de 2026 às 04:002 min
Uso de antibióticos altera equilíbrio intestinal por vários anos, aponta estudo
Foto: Reprodução
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Estudo com 15 mil adultos revela que antibióticos reduzem a diversidade da flora intestinal por até uma década, elevando riscos de doenças crônicas.

Uma nova investigação científica revela que o uso de antibióticos pode deixar marcas profundas e persistentes na flora intestinal humana, mesmo muitos anos após o término do tratamento. Ao analisar informações genéticas de amostras fecais de aproximadamente 15 mil indivíduos, especialistas identificaram que aqueles que utilizaram esses medicamentos apresentavam uma biodiversidade de microrganismos significativamente reduzida. O efeito foi observado inclusive em pessoas que haviam tomado apenas um ciclo de medicação em um intervalo de quatro a oito anos antes da coleta dos dados.

O estudo aprofunda o conhecimento sobre como esses fármacos atuam como agentes disruptores do ecossistema digestivo. Embora sejam essenciais para combater infecções, os antibióticos interferem no equilíbrio de bactérias, fungos e vírus que habitam o intestino. De acordo com o mapeamento genético realizado pelos pesquisadores, a recuperação total dessa comunidade biológica é mais lenta do que se imaginava, evidenciando que as alterações podem perdurar por quase uma década no organismo dos pacientes.

Além da diminuição da diversidade microbiana, a ciência já associa o uso frequente e prolongado dessas substâncias a um aumento na vulnerabilidade a doenças crônicas. Entre os riscos citados estão o desenvolvimento de obesidade, diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e o surgimento de pólipos no cólon. No curto prazo, a medicação também pode favorecer o crescimento de patógenos perigosos e fortalecer genes de resistência, o que torna as bactérias mais difíceis de serem eliminadas em tratamentos futuros.

Diante dessas evidências, especialistas reforçam a importância de uma prescrição médica criteriosa e precisa. Como certas classes de antibióticos são capazes de modificar permanentemente o ambiente do intestino, o uso indiscriminado torna-se um problema de saúde pública. A descoberta ressalta que o cuidado com o microbioma deve ser uma prioridade nas decisões clínicas, visando minimizar impactos sistêmicos que afetam a saúde a longo prazo.

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