Entenda a conexão entre Flávio Bolsonaro e astros de Hollywood em financiamento de filme
Senador pressionou banqueiro preso para evitar 'calote' em atores e diretores de Hollywood envolvidos em filme sobre o ex-presidente.

Áudios revelam pressão de Flávio Bolsonaro sobre o banqueiro Daniel Vorcaro para garantir pagamentos do filme 'Dark Horse', estrelado por Jim Caviezel. Investigação aponta repasses de R$ 61 milhões.
Novas revelações publicadas pelo Intercept Brasil e confirmadas por outros veículos de imprensa indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria atuado diretamente na cobrança de recursos para o financiamento de "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em áudios enviados ao banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente sob custódia da Polícia Federal, o parlamentar expressa preocupação com o atraso de pagamentos e o impacto reputacional de um possível inadimplemento com figuras de Hollywood.
Nas gravações, o senador menciona nominalmente o ator Jim Caviezel, famoso por protagonizar "A Paixão de Cristo" e "Som da Liberdade", que interpreta o ex-presidente no longa-metragem. O diretor americano Cyrus Nowrasteh, conhecido por thrillers políticos e dramas conservadores, também é citado como uma das peças-chave que poderiam ter a imagem prejudicada caso o financiamento não fosse honrado. Flávio argumenta no áudio que o projeto, concebido para ter um efeito positivo, sofreria um revés caso os artistas internacionais não recebessem conforme o acordado.
As investigações apontam que Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para a produção entre o início e o meio de 2025. O montante teria sido enviado a um fundo nos Estados Unidos vinculado a aliados da família Bolsonaro. O filme é descrito como um suspense político que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, desde sua atuação no Exército até o atentado sofrido em Juiz de Fora, tratando a narrativa como uma luta contra sistemas estabelecidos no Brasil.
Questionado sobre as transações e sua interferência nas negociações financeiras, Flávio Bolsonaro limitou-se a declarar que os recursos envolvidos no projeto cinematográfico são de origem privada. A defesa do banqueiro não detalhou as motivações para o investimento substancial na obra, que foi produzida com foco no mercado internacional sob a direção de Nowrasteh, que já possui histórico de colaborações em roteiros brasileiros.






