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Empresa que financiou filme de Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões de fundos sob investigação

Relatórios do Coaf indicam que recursos destinados à produção cinematográfica vieram de fundos investigados pela PF e com indícios de ligação com o crime organizado.

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Redação 360 Notícia
14 de maio de 2026 às 06:002 min
Empresa que financiou filme de Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões de fundos sob investigação
Foto: Reprodução
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Investigações apontam que a empresa usada para financiar documentário sobre Jair Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões de fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, suspeitos de fraude e lavagem de dinheiro para facções criminosas.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que a Entre Investimentos, companhia utilizada para financiar um documentário sobre Jair Bolsonaro, recebeu aproximadamente R$ 159,2 milhões vindos de contas sob investigação da Polícia Federal. Esse montante tem origem em fundos associados a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que atualmente está preso sob acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro que pode alcançar a cifra de R$ 12 bilhões.

As investigações ganharam novos desdobramentos após o vazamento de áudios e mensagens que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando aportes de Vorcaro para a produção cinematográfica intitulada "Dark Horse". De acordo com os registros, o acordo total previa R$ 124 milhões para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente quitados pelo banqueiro, em parte utilizando a estrutura da Entrepay. A intermediação do negócio foi confirmada pelo publicitário Thiago Miranda, que admitiu ter apresentado o parlamentar ao empresário.

Além da conexão política, o fluxo financeiro da Entre Investimentos acende alertas por vínculos com o crime organizado. Dados apontam que fundos como o Gold Style e o Dublin, além da empresa Inovanti Bank, movimentaram recursos que a PF relaciona à operação de lavagem de dinheiro da facção PCC. Em contrapartida, a investidora enviou R$ 87,7 milhões para a RMD Instituição de Pagamento, outra entidade suspeita de prestar serviços para a mesma organização criminosa no mercado financeiro.

A situação econômica do grupo Entrepay já era crítica antes das revelações; em março deste ano, o Banco Central determinou sua liquidação extrajudicial devido a irregularidades normativas e riscos aos credores. A defesa do grupo afirma que está colaborando com as autoridades competentes e que já planejava suspender as operações de forma estruturada. Enquanto isso, o processo na CVM sobre operações fraudulentas com fundos imobiliários continua em aberto, após a rejeição de um acordo de R$ 21,3 milhões proposto pelos executivos.

#Banco Master#Flávio Bolsonaro#Daniel Vorcaro#Coaf#Polícia Federal

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