Tecnologia de mosquitos 'antidengue' obtém sucesso no Brasil, mas encara desafios de escala
Uso de mosquitos com bactéria Wolbachia mostra eficácia em cidades brasileiras, mas enfrenta barreiras logísticas e climáticas para atingir o restante do país.

A técnica com a bactéria Wolbachia reduz drasticamente os casos de dengue em cidades brasileiras, mas gargalos logísticos e climáticos desafiam a expansão do método no país.
Uma tecnologia inovadora que utiliza a bactéria Wolbachia para impedir a transmissão de arboviroses demonstra resultados promissores no Brasil, embora enfrente obstáculos para ser aplicada em larga escala. Em Curitiba, uma biofábrica de última geração produz milhões de mosquitos modificados, conhecidos como "wolbitos". O método, liderado pelo entomólogo Luciano Moreira, consiste em liberar insetos que carregam a bactéria, a qual bloqueia o desenvolvimento de vírus como dengue, zika e chikungunya no organismo do vetor.
Os dados colhidos em municípios que já adotaram a técnica são animadores. Em Niterói e Campo Grande, a redução nas notificações de dengue chegou a 89% e 63%, respectivamente. Atualmente, o projeto beneficia cerca de seis milhões de brasileiros, mas o desafio é atingir o restante da população em um cenário de agravamento climático. O aquecimento global tem permitido que o mosquito se prolifere em regiões anteriormente frias, como o Sul do país, intensificando a urgência por medidas eficazes de controle biológico.
Apesar do sucesso científico, a expansão nacional esbarra em questões logísticas, financeiras e operacionais. No Rio de Janeiro, por exemplo, o uso inadequado de larvicidas e a insegurança em áreas de conflito prejudicaram a implantação. O Ministério da Saúde planeja ampliar o programa para 70 cidades até o fim de 2026. Os especialistas reforçam que a técnica não deve ser vista como uma solução isolada, mas como um pilar fundamental que complementa outras estratégias de saúde pública, como a vacinação e a eliminação de criadouros.





