Notícias

Transformação no luto: Como o cuidado na despedida originou nova profissão

Inspirada pela jornada da mãe, advogada atua como doula do fim de vida e defende regulamentação da atividade no Brasil

Por
Redação 360 Notícia
14 de maio de 2026 às 07:002 min
Transformação no luto: Como o cuidado na despedida originou nova profissão
Foto: Reprodução
Compartilhar

A trajetória da advogada Letícia Corrêa revela como o apoio no processo de finitude pode transformar a despedida em um ato de dignidade. A profissão de doula do fim de vida, focada em suporte não clínico, aguarda regulamentação no Brasil.

A experiência pessoal com a perda e a burocracia do sistema de saúde transformou a trajetória da advogada Letícia Corrêa. Após enfrentar anos de cuidados paliativos ao lado de sua mãe, Luzia, diagnosticada com câncer de pâncreas, ela decidiu se especializar como doula do fim de vida. O papel dessa profissional, embora ainda pouco conhecido, foca em oferecer suporte emocional e prático a pacientes terminais e seus familiares, atuando como um elo entre os desejos do doente e a realidade hospitalar.

Diferente de profissionais da medicina ou enfermagem, a doula da morte não realiza intervenções clínicas ou administra medicamentos. Sua função reside na escuta ativa, na organização de pendências burocráticas e na garantia de que a dignidade e as vontades do paciente sejam respeitadas até o último momento. No caso de Letícia, a prática nasceu antes da teoria: ela ajudou a mãe a planejar desde a doação do corpo para estudos científicos até o desejo de falecer em casa, cercada de tranquilidade e sem hospitalizações desnecessárias.

Atualmente, o reconhecimento dessa atividade ganha fôlego institucional no país. Um projeto de lei protocolado em abril de 2026 busca regulamentar a profissão, estabelecendo que instituições de saúde permitam a presença dessas acompanhantes sempre que solicitado. Para Letícia, que concilia a advocacia com a doulagem, a regulamentação é um passo fundamental para que o planejamento do fim da vida deixe de ser um privilégio de poucos e se torne um direito garantido, permitindo despedidas mais humanas e menos traumáticas.

#doula da morte#cuidados paliativos#direito médico#fim de vida#saúde pública

Leia também