Relatórios apontam uso sistêmico de violência sexual no conflito entre Israel e Hamas
Novos levantamentos detalham denúncias de crimes sexuais cometidos tanto por militantes do Hamas quanto por agentes das forças de segurança de Israel.

Novos relatórios investigativos indicam o uso de violência sexual como tática de guerra por ambos os lados no conflito em Gaza, detalhando abusos do Hamas e de forças israelenses.
A violência sexual emergiu como um aspecto sombrio e devastador no conflito em curso entre Israel e o Hamas, conforme apontam novos levantamentos de organizações diversas. Um relatório da Comissão Civil de Israel indica que, durante os ataques de 7 de outubro, o Hamas teria transformado o abuso de gênero em uma tática de guerra deliberada. A investigação, que analisou registros visuais e ouviu centenas de testemunhas, descreve atos de extrema crueldade contra mulheres, reféns e até menores de idade em locais como o festival de música Super Nova e em vilarejos próximos à fronteira.
Paralelamente, denúncias graves foram levantadas contra as forças de segurança israelenses. Relatos coletados em investigações jornalísticas e por agências internacionais apontam um cenário de violência sexual sistêmica contra detentos palestinos em centros de detenção e prisões. Testemunhos de homens, mulheres e crianças descrevem episódios de revistas íntimas abusivas, ameaças de agressão sexual e tratamentos degradantes que teriam se tornado práticas recorrentes por parte de soldados e agentes carcerários.
Organizações de defesa dos direitos territoriais e da infância, como a Save the Children, reforçam a gravidade da situação, destacando que muitas crianças palestinas detidas afirmam ter sofrido ou presenciado abusos similares. O Hamas nega as acusações de estupros durante as incursões de outubro, enquanto o governo de Israel rebate as queixas de abusos contra palestinos, classificando as alegações como infundadas e parte de uma campanha de difamação internacional.
As Nações Unidas já manifestaram preocupação com as evidências de ambos os lados, embora reconheçam as imensas dificuldades de se documentar esses crimes em uma zona de guerra ativa. A representante especial da ONU sobre violência sexual em conflitos apontou que, embora existam motivações plausíveis para acreditar na ocorrência desses delitos, a profundidade real do trauma e a escala total das violações podem jamais ser completamente reveladas devido ao estigma e à destruição causada pelos confrontos.





