Caso Orelha: MP aponta erros em investigação e pede arquivamento por falta de provas
Ministério Público pede arquivamento de inquérito e cita falhas técnicas e exploração política em investigação policial.

O Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento do caso da morte do cão Orelha por falta de provas. O órgão apontou erros na investigação policial, vazamento de dados sigilosos e possível uso político do episódio.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou o arquivamento do inquérito que apurava a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em Florianópolis. Após análise técnica, os promotores concluíram que as investigações da Polícia Civil foram baseadas em interpretações equivocadas de horários e depoimentos frágeis. Segundo o parecer, a correção do tempo nos registros de câmeras de segurança demonstrou que o adolescente suspeito e o animal não estiveram no mesmo local na hora do crime, desintegrando a principal tese da acusação.
Além da falta de provas materiais, o órgão apontou que a condução do caso foi prejudicada pelo vazamento de dados sigilosos e pela influência de "fake news". O documento de 170 páginas destaca que houve uma fixação precoce na culpa dos jovens, o que impediu a exploração de outras linhas investigativas e causou a perda de evidências cruciais. O MPSC criticou a divulgação de informações protegidas por sigilo à imprensa e a exploração do episódio em redes sociais antes da conclusão dos fatos.
O Ministério Público também determinou que a Corregedoria da Polícia Civil investigue a conduta dos agentes envolvidos, citando indícios de uso político do caso. Autoridades estaduais, incluindo o governador, foram mencionadas no relatório por publicações que podem ter amplificado a repercussão negativa e os ataques virtuais aos investigados. Em resposta, a Polícia Civil declarou que o inquérito seguiu os trâmites legais e reafirmou a independência entre as instituições para decidir sobre o prosseguimento da denúncia.






