Eduardo Bolsonaro rebate suspeitas da PF sobre uso de recursos de fundo de investimentos nos EUA
Eduardo Bolsonaro afirma que rigor migratório dos EUA impediria transferências irregulares e nega uso de verbas de filme para despesas pessoais.

Eduardo Bolsonaro negou o recebimento de verbas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que seu visto nos EUA impede tal transação. A PF apura se recursos destinados a filme sobre Jair Bolsonaro custearam despesas pessoais do ex-deputado.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro veio a público nesta quinta-feira (14) para contestar as suspeitas levantadas pela Polícia Federal sobre o suposto uso ilícito de recursos financeiros vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar, que vive nos Estados Unidos desde o início do ano passado, argumentou que sua situação legal perante as autoridades migratórias norte-americanas tornaria inviável o recebimento de verbas dessa natureza. Segundo ele, toda a origem de seu patrimônio foi devidamente detalhada ao governo dos EUA durante seu processo de mudança, sem que qualquer irregularidade fosse detectada.
A investigação em curso busca compreender se montantes expressivos, que oficialmente deveriam financiar a cinebiografia "Dark Horse" — um projeto sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro —, foram desviados para o custeio da permanência de Eduardo no exterior. Os investigadores avaliam se o projeto audiovisual serviu como fachada para transferências diretas ou se houve má aplicação dos valores. O foco recai sobre um aporte de R$ 61 milhões realizado pelo dono do Banco Master, que teria sido direcionado a um fundo gerido por um advogado que presta serviços ao ex-deputado.
Eduardo Bolsonaro defendeu a atuação do profissional jurídico, afirmando que o escritório é responsável apenas pela gestão técnica e legal dos recursos da obra cinematográfica. Ele admitiu ter facilitado o contato entre o advogado e o produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias, mas negou qualquer recebimento pessoal. Paralelamente, mensagens interceptadas mostram o senador Flávio Bolsonaro cobrando repasses de Vorcaro, o que ampliou o escopo das apurações sobre a movimentação financeira entre o grupo político e o setor bancário.
Dados do Coaf apontam que a empresa Entre Investimentos atuou como ponte financeira, recebendo cifras milionárias de fundos sob investigação da PF. Enquanto o deputado Mário Frias e a produtora do longa negam ter recebido verbas diretas de Daniel Vorcaro, os órgãos de controle tentam rastrear o caminho final do dinheiro. A defesa de Eduardo Bolsonaro mantém a postura de que o rigor das leis americanas serve como prova de que ele não usufruiu de fontes externas não declaradas durante o seu período de residência nos Estados Unidos.






