É falso que produção da Nike, Adidas e Umbro no Brasil será transferida para o Paraguai
Grupo Dass desmente boatos de fechamento de fábricas e explica que mudança operacional envolveu apenas a estrutura da Argentina.

Publicações falsas alegam que Nike, Adidas e Umbro estão deixando o Brasil rumo ao Paraguai. O Grupo Dass negou as informações, explicando que a reestruturação ocorreu apenas na operação argentina e que as fábricas brasileiras seguem operando normalmente.
Uma onda de desinformação tomou conta das redes sociais nos últimos dias, sugerindo que grandes marcas globais de artigos esportivos, como Nike, Adidas e Umbro, estariam encerrando suas produções no Brasil para migrar para o Paraguai. A notícia falsa ganhou tração ao alegar que o Grupo Dass, responsável pela fabricação dessas marcas na América do Sul, estaria buscando melhores condições tributárias e competitividade no país vizinho, abandonando o mercado brasileiro. No entanto, o próprio Grupo Dass veio a público desmentir categoricamente essas afirmações, classificando-as como um equívoco grave e pura desinformação.
O cenário de "fake news" é alimentado por um contexto de polarização econômica e política, onde decisões empresariais são frequentemente distorcidas para validar narrativas sobre desindustrialização ou fuga de capitais. Publicações com centenas de milhares de visualizações no X (antigo Twitter) chegaram a afirmar que o Brasil estaria "punindo quem produz", resultando na perda de empregos e investimentos. Contudo, a realidade operacional das indústrias calçadistas e de vestuário é muito mais complexa e depende de infraestruturas que não podem ser transferidas de forma simplista ou imediata entre fronteiras nacionais sem um planejamento estratégico robusto, o que não é o caso atual.
Para esclarecer os fatos, o Grupo Dass emitiu um comunicado oficial ressaltando que suas unidades fabris no Brasil continuam operando normalmente e são fundamentais para a estratégia global da companhia. O grupo, que possui sedes administrativas e operacionais de grande porte no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, explicou que houve, de fato, uma reestruturação, mas que ela envolveu a Argentina e não o Brasil. Devido a desafios estruturais e econômicos severos enfrentados no mercado argentino, uma pequena operação que funcionava naquele país foi realocada para o Paraguai, em um movimento estritamente localizado para atender a demandas específicas que não afetam as metas brasileiras.
Um ponto técnico crucial destacado pela fabricante é a impossibilidade operacional de uma migração em massa de calçados para a nova planta paraguaia. A unidade instalada no Paraguai, chamada Dasstex, é uma planta de pequeno porte focada exclusivamente no segmento de confecção (vestuário) e não possui o maquinário, os insumos ou o conhecimento industrial necessário para a fabricação de calçados esportivos tecnológicos, que representam a maior parte do volume de Nike e Adidas. O Grupo Dass reiterou que os processos industriais para produzir um tênis de alta performance e uma peça de roupa são completamente distintos, o que torna a alegação das redes sociais tecnicamente infundada.
Para o leitor brasileiro, este caso serve como um alerta sobre a importância de checar fontes oficiais antes de compartilhar informações que geram pânico sobre o mercado de trabalho nacional. O setor têxtil e de calçados é um dos maiores empregadores do país, e a manutenção das operações do Grupo Dass no Brasil garante milhares de postos de trabalho diretos e indiretos. A empresa reforçou que não existe qualquer plano de fechamento ou redução drástica de suas atividades em território nacional, mantendo o compromisso com o desenvolvimento da indústria brasileira e com o fornecimento para as marcas licenciadas. Próximos passos devem incluir um monitoramento mais rigoroso das plataformas digitais para conter a propagação de boatos que prejudicam a imagem institucional de grandes empregadores.





