Dólar recua para R$ 5,01 com expectativa de paz no Oriente Médio e queda no petróleo
Expectativa de cessar-fogo no Oriente Médio e queda de 7% no barril do petróleo favorecem o real e impulsionam bolsas globais.

O dólar fechou em queda a R$ 5,01 nesta segunda-feira (25), impulsionado pelas expectativas de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. A possível reabertura do Estreito de Ormuz derrubou os preços do petróleo no mercado internacional, aliviando a pressão sobre a inflação global.
O mercado financeiro reagiu com otimismo nesta segunda-feira (25) diante de sinais concretos de um possível desfecho diplomático para os conflitos no Oriente Médio. O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,19%, sendo negociado a R$ 5,0185, refletindo uma redução na aversão ao risco global. No cenário doméstico, o Ibovespa acompanhou o movimento positivo das bolsas internacionais e operou em alta nos minutos finais do pregão, impulsionado pela descompressão dos preços das commodities energéticas e pela expectativa de maior estabilidade geopolítica.
O principal gatilho para a movimentação dos ativos foi a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Segundo o chefe da diplomacia americana, um acordo de paz entre Washington e Teerã poderia ser selado ainda nesta segunda-feira. Embora o governo de Israel tenha adotado um tom mais cauteloso, afirmando que nenhum entendimento é iminente apesar dos avanços em diversos tópicos, os investidores interpretaram as falas como um sinal de que o fim das hostilidades está próximo. O próprio presidente Donald Trump reforçou essa narrativa no último final de semana, mencionando que as negociações com o Irã foram amplas e focadas na estabilização regional.
Um dos pontos centrais desse possível acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz. Localizado em uma zona estratégica, o estreito é responsável por escoar mais de 20% do comércio mundial de petróleo e uma parcela significativa do gás natural liquefeito. Com a perspectiva de normalização do fluxo na região, os preços do barril de petróleo registraram quedas acentuadas, superiores a 6%. O Brent, referência global, recuou mais de 7%, sendo cotado na casa dos US$ 96, enquanto o WTI caiu para o patamar de US$ 90. Analistas ponderam, entretanto, que mesmo com um cessar-fogo, a retomada total da infraestrutura afetada por bombardeios e sabotagens pode levar meses para ser concluída.
No Brasil, além do reflexo das tensões externas, o mercado se prepara para uma semana carregada de dados econômicos relevantes. O foco está voltado para a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial para o mês de maio, que servirá de baliza para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. Adicionalmente, dados sobre o nível de desemprego em abril devem ser publicados, fornecendo um panorama sobre o aquecimento da atividade econômica interna e a pressão sobre os preços via demanda de consumo.
O cenário político nacional também exerce influência direta sobre o humor dos investidores. Duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) concentram as atenções no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, debate-se a PEC 221/2019, que propõe alterações na escala de trabalho 6x1, tema que gera discussões sobre o impacto nos custos produtivos. Já no Senado Federal, o foco recai sobre a PEC 65/2023, que visa conceder autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central, medida defendida por setores do mercado como forma de blindar a autoridade monetária de interferências políticas diretas, mas que ainda enfrenta resistência de alas governistas.
Enquanto o Wall Street permaneceu fechado devido ao feriado de Memorial Day, os índices futuros americanos e as bolsas europeias e asiáticas registraram ganhos consistentes. O otimismo internacional corrobora a tese de que, caso a paz no Oriente Médio se concretize, haverá um alívio nas pressões inflacionárias globais causadas pela crise energética. Para o investidor brasileiro, o cenário atual sugere um período de volatilidade controlada, dependente da confirmação dos termos do acordo entre EUA e Irã e da capacidade do governo federal em avançar com a agenda fiscal e legislativa nas próximas semanas.





