Entre Palavras

De todas as belezas, coragem!

Sim, a coragem nos reinicia.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 02:09Atualizado em 31 de agosto de 2026 às 18:002 min
De todas as belezas, coragem!
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De Todas as Belezas, Coragem! É assustador olhar pra trás e ver que engolimos abandono com casca e tudo. Que queimaram nossos sonhos mais bonitos no fogo da mentira.

Que cortaram nosso ar sem um fio de remorso e derramaram gasolina sobre os cortes que nos fizeram sorrindo. Ainda estamos vivos. Quanta coragem é preciso para ser assim, tão covarde? A decepção nos emudece, mas, incrivelmente, ainda estamos vivos.

A confiança evapora e agora todo mundo é um risco. O coração fecha suas portas e se encolhe no porão da alma. A máscara que caiu obstruiu o seu acesso. Quem sorria, mentia. Quem dava a mão, traía. Agora a estrada está vazia. Não há mais sonhos avançando os sinais da vida, não há ansiedade acelerando na curva, tampouco destino adiante. Não. Agora somos apenas nós e a bagunça. Sim, a coragem nos isola.

Passamos a chorar quando ninguém está presente, passamos a disfarçar nossas perplexidades e decepções diariamente. Assim vamos reforçando nos outros a imagem de fortes e bem resolvidos. No entanto, do lado de dentro somos escombros e coração destruído. Como isso ninguém vê, somos constantemente procurados para escutar histórias complicadas e selamos cada uma delas com um bom conselho. Inspiramos pessoas. Nos tornamos referência de equilíbrio. Sim, a coragem mente.

Intimamente conversamos sozinhos, tentamos nos habituar às porções individuais de pipoca e de carinho. Seguimos desabafando com o travesseiro, trocando os próprios curativos e tateando autos conselhos. Gradativamente vamos reaprendendo a enxergar no escuro desde quando explodiram nossas lâmpadas e envenenaram o Sol. Sim, a coragem ensina.

Aos poucos vamos nos equilibrando em liberdades forçadas, choros mudos, convivências rasas. Ninguém vê que, por dentro, estamos mudando conceitos, afiando a intuição, dissolvendo os medos, selecionando as companhias. Sim, a coragem transforma.

Nos remontamos. Sobram alguns pedaços - sempre sobram. De fato, algumas partes já não fazem mais falta. E incrivelmente nos sentimos mais inteiros do que nunca! Sim, a coragem nos prepara.

Embora ela fascine tantos à sua volta, ela não se encanta facilmente. A coragem é cara. Suas urgências são outras. Sua frequência, também. Coragem seduz coragem. Nos apaixonamos é pelas cicatrizes, pela coragem que o outro traz no coração. É raro, mas quando duas coragens se encontram? Sim, a coragem nos reinicia.

(Fabiola Simões) Texto de Ludmila Clio * Frase do incrível Allê Barbosa (@allebarbosza), por quem fui gentilmente autorizada a usá-la como título

Antonio Marcos de Souza 15 de janeiro de 2023

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 17 de fevereiro de 2026 às 02:09

Atualizado: 31 de agosto de 2026 às 18:00

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