Entre Palavras

E daí, se meu luto não acabou?

E se meu luto não acabou, que assim seja. Ele é parte de mim, da minha história, e da memória de quem nunca deixará de ser minha mãe.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 15:55Atualizado em 24 de setembro de 2026 às 13:283 min
E daí, se meu luto não acabou?
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Por: Antonio Marcos de Souza (AL)

Chegou setembro, o mês que mudou minha vida. Não há um único dia em que eu não me lembre da morte de minha mãe. São 39 anos de uma saudade dolorida, de um vazio que nunca se preenche, de solidão e de falta — tanta falta. Às vezes me pergunto: como posso sentir tamanha saudade de alguém com quem convivi apenas sete anos? Mas não importa. Talvez justamente por tudo o que vi e vivi, essa dor se tornou ainda maior.

Acho que sou uma pessoa extremamente estranha. 365 dias do ano, 24h por todos os 7 dias da semana. Não existe um único momento que não me lembre, da falta de coisas tão simples e banais para a grande massa de filhos. Um toque, um olhar, um abraço de pescoço, um incrível "EU TE AMO!" Esse "eu te amo", carregado de toda essência de Deus. Sentimentos e ações dela que desde o dia e até hoje, trocaria todas as riquezas existente no planeta e fora dele, para ouvir pelo menos uma única vez: "Filho, você é o amor de minha vida!" Que lastima!

Chega agosto, vem setembro, o pior mês de toda vida e como todas as vezes, verbalizo para mim que, faz de conta que setembro nunca existiu. Um lamento de morte. Um lamento de que, ELA não me viu crescer, não acompanhou minha adolescência, minhas frustrações e medos.

Não viu o filho se tornar professor, uma das profissões mais sofrida, negligenciada, renegada, mas sendo esta o pilar de uma sociedade, e que certamente seria uma mãe orgulhosa em todos os aspectos, por que não somente eu, meus irmãos, são do bem e para o bem, humanos incríveis. Lamento, pois agora, ela não verá filho envelhecer e envelhecermos juntos. Meu ponto de equilíbrio, meu norte, minha segurança afetiva, emocional e física foi destruída, dizimada pelo ódio. 20 de setembro de 1987, 39 anos de vazio, solidão, olhar sem horizonte.

Uma mãe que não teve a oportunidade, a chance de ouvir de mim, a GRATIDÃO, o quanto a respeito por sua história, o quanto gostaria de dizer: "MÃE, A SENHORA É A MELHOR DO MUNDO, TE AMO... TE AMO".

"Um eu te amo que nunca foi ouvido e nunca chegou ao seu destino."

Por Deus, não escolheria outro ventre para ter nascido, por que sei que foi lá dentro de minha formação, que herdei o gene da CORAGEM, do ENFRENTAMENTO a vida, do amor GENUÍNO, do afeto e do respeito e que na ausência dele, sei de onde vieram, dos meus incríveis avós. Agradeço sempre a Deus por me fazer indomável e corajoso. Agradeço muito a Deus por me fazer um Homem de honra e íntegro, agradeço muito a Deus por me fazer um homem de verdade. Agradeço a todos eles, homens e mulheres de minha vida, vivos ou mortos e o que sou hoje, devo a eles e tenho por honra devolver a estes na mesma medida que recebi.

O meu 20 de setembro de 1987 - 39 anos

Antonio Marcos de Souza

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 16 de setembro de 2026 às 15:55

Atualizado: 24 de setembro de 2026 às 13:28

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