De ex-interno a artista internacional: a arte como cura para sobrevivente de manicômios
Internado na infância, Edson Antunes superou o trauma do isolamento através da arte e hoje expõe suas obras em galerias internacionais.

A trajetória de superação de Edson Antunes, ex-interno de manicômios que se tornou artista premiado, ilustra os impactos positivos da reforma psiquiátrica no Brasil. Suas obras, que já foram expostas internacionalmente, são o destaque de um festival cultural no Rio de Janeiro.
O artista plástico Edson Antunes, de 63 anos, transformou memórias traumáticas de internamentos em telas e esculturas que já atravessaram fronteiras, chegando a importantes galerias de cidades como Verona, na Itália. O carioca, que sofreu com o modelo de isolamento psiquiátrico desde a infância, hoje utiliza o ateliê mantido no Instituto Municipal Nise da Silveira como ferramenta de expressão e cura subjetiva.
Para o artista, o ato de pintar funciona como uma forma de gerenciar as angústias internas e dar um novo significado à própria existência. Após receber incentivo de profissionais de saúde mental, ele passou a frequentar espaços como o Museu de Imagens do Inconsciente e o Espaço Travessia, onde hoje desenvolve suas obras e oferece oficinas. Antunes destaca que, no atual modelo de cuidado em liberdade, encontrou o acolhimento humano que lhe foi negado durante o período de abandono no antigo sistema manicomial.
A história de superação de Edson ganha visibilidade no momento em que o país celebra o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Em comemoração à data, o Instituto Nise da Silveira promove o festival "Nós na Luta", com uma extensa programação que inclui mesas de debate, apresentações culturais e atividades no Memorial da Loucura. O evento reforça a importância da reforma psiquiátrica e da inclusão social de pessoas em sofrimento mental por meio da arte e da cidadania.





