Clima tenso marca posse no TSE com recusa de aplausos a Jorge Messias
Presidente do Senado e Lula ignoram presença mútua em evento após rejeição de nome para o STF.

A posse de Nunes Marques no TSE foi marcada pelo distanciamento entre Davi Alcolumbre e Lula, além da recusa do senador em aplaudir Jorge Messias. O gesto acentua a crise após o Senado barrar a indicação de Messias ao STF.
Durante a cerimônia de posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ocorrida nesta terça-feira, o clima de tensão entre os chefes dos Poderes ficou evidente. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, absteve-se de aplaudir o advogado-geral da União, Jorge Messias, no momento em que este foi formalmente homenageado em discurso. A reação ocorre poucas semanas após o Legislativo rejeitar a indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal, um fato histórico que quebrou um jejum de rejeições que durava mais de um século.
O episódio de frieza não se restringiu aos aplausos. Sentados lado a lado na mesa de honra, Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitaram qualquer diálogo direto ou troca de olhares ao longo da solenidade. Outras autoridades, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do STF, Edson Fachin, também mantiveram uma postura contida, enquanto o presidente Lula realizou um cumprimento breve. O distanciamento público reflete o desgaste recente na relação entre o Planalto e o comando das Casas Legislativas.
A crise institucional se acentuou após os bastidores da votação no Senado virem à tona. Jorge Messias, que obteve apenas 34 votos favoráveis contra 42 contrários em pleito secreto, atribuiu sua derrota a uma suposta articulação coordenada entre parlamentares e membros do Judiciário. Dentro do governo, o sentimento é de retaliação, com alas do Executivo adotando uma estratégia de enfrentamento político e utilizando a rejeição como narrativa de um cerco imposto pelo sistema contra as escolhas da presidência.






