Economia

China e EUA firmam novo acordo bilionário para retomada do comércio agrícola

Pequim se compromete a gastar US$ 17 bilhões anuais extras em produtos norte-americanos, o que pode afetar exportações de rivais como o Brasil.

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Redação 360 Notícia
18 de maio de 2026 às 16:002 min
China e EUA firmam novo acordo bilionário para retomada do comércio agrícola
Foto: Reprodução
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China e EUA fecham acordo para importação de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas, visando estabilizar o comércio bilateral. O pacto deve impactar fornecedores rivais e aumentar a presença de commodities norte-americanas no mercado asiático.

Após uma cúpula bilateral realizada em Pequim, os governos da China e dos Estados Unidos selaram um novo compromisso comercial focado no setor agropecuário. A potência asiática concordou em importar anualmente pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos, valor que será somado às compras já previstas de soja. O anúncio ocorre após um período de retração nas trocas comerciais entre o país asiático e a administração de Donald Trump, sinalizando uma tentativa de estabilização do fluxo de mercadorias entre as duas maiores economias globais.

Especialistas projetam que, com os novos termos, o volume total de importações agrícolas da China vindas dos EUA possa atingir a marca de US$ 30 bilhões por ano. Para viabilizar esse salto orçamentário, Pequim deve intensificar a aquisição de uma gama variada de itens, incluindo trigo, algodão, carnes e grãos voltados para a alimentação animal. Além disso, o pacto prevê a revisão de restrições técnicas e burocráticas que dificultavam o acesso de carnes bovina e de aves produzidas nos Estados Unidos ao mercado chinês no último ano.

A mudança de estratégia de Pequim pode impactar diretamente outros grandes exportadores agrícolas, como o Brasil e a Austrália. Analistas do setor indicam que o redirecionamento das encomendas para os produtores norte-americanos atende a motivações políticas e diplomáticas, podendo reduzir o espaço de fornecedores que ganharam fatias de mercado recentemente. No caso da soja, a expectativa é de que as empresas estatais chinesas retomem compras volumosas da nova safra dos EUA, aproveitando preços competitivos no cenário internacional.

Apesar da retomada do fôlego comercial em comparação ao último ano, as cifras negociadas ainda não alcançaram o recorde histórico de 2022. O sucesso da meta dependerá da continuidade do diálogo diplomático e da flexibilização recíproca de tarifas. Atualmente, o Brasil ainda detém a liderança no fornecimento de importantes commodities para a China, mas o novo acordo coloca os produtores americanos novamente em uma posição de concorrência direta por meio de cotas preferenciais e acordos de estocagem estatal.

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