Economia

Cerca de 68% dos brasileiros com dívidas aguardam alívio financeiro com Desenrola 2.0

Pesquisa mostra que 82% da população vê impacto positivo do programa na economia, índice muito superior à popularidade da gestão federal.

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Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 04:003 min
Cerca de 68% dos brasileiros com dívidas aguardam alívio financeiro com Desenrola 2.0
Foto: Reprodução
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Pesquisa Datafolha revela que 68% dos brasileiros endividados confiam nos benefícios do Desenrola 2.0, superando os índices de aprovação do governo. Levantamento detalha o cenário crítico de inadimplência que afeta desde o consumo de alimentos até contas básicas e dívidas familiares.

Um novo levantamento estatístico realizado pelo instituto Datafolha revela que a percepção de otimismo em relação a programas de renegociação de débitos supera, significativamente, a popularidade direta do atual governo federal. De acordo com os dados coletados, aproximadamente 68% dos brasileiros que possuem pendências financeiras acreditam que serão diretamente beneficiados pelo Desenrola 2.0. A confiança no programa é ainda mais expressiva quando o foco se desloca para a saúde financeira do país como um todo: 82% dos participantes da pesquisa avaliam que a iniciativa terá um impacto positivo na economia nacional. Esse cenário demonstra que, mesmo em um ambiente de forte polarização política, políticas voltadas para o alívio do bolso da população conseguem romper barreiras ideológicas e obter uma aceitação transversal.

A análise comparativa dos dados sugere um fenômeno curioso no campo da percepção pública. Embora o Desenrola 2.0 conte com a aprovação de ampla maioria, a avaliação positiva do governo federal entre o mesmo grupo de endividados é de apenas 31%. Já a aprovação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gira em torno de 46%. Isso indica que o programa de renegociação de dívidas é visto de forma pragmática pelo cidadão, dissociando o benefício financeiro direto da simpatia política pela gestão vigente. Mesmo entre as pessoas que não possuem dívidas no momento, a visão é favorável: 73% acreditam na melhora da economia via programa, e 39% acreditam que podem ser indiretamente favorecidos. Os subgrupos mais esperançosos são formados por jovens, eleitores já alinhados ao PT e moradores da região Nordeste.

O contexto do endividamento no Brasil é complexo e não se restringe apenas às instituições bancárias formais. Pesquisas anteriores do próprio Datafolha indicam que dois em cada três brasileiros convivem com débitos pendentes. Um dado alarmante que ajuda a explicar essa pressão social é o alto índice de inadimplência em relações informais: cerca de 41% das pessoas que pegaram dinheiro emprestado com parentes ou amigos não conseguiram quitar o valor. No ranking dos débitos formais, o cartão de crédito continua sendo o principal gargalo, afetando 29% dos inadimplentes, seguido de perto pelas dívidas bancárias (26%) e pelos tradicionais carnês de lojas de varejo (25%). Além disso, as contas básicas de consumo, como internet, luz e água, também apresentam atrasos significativos, comprometendo a qualidade de vida de quase um terço dos entrevistados.

Essa realidade financeira forçou mudanças profundas nos hábitos de consumo das famílias brasileiras. Para tentar equilibrar o orçamento doméstico, o "sacrifício" tornou-se a regra. Cerca de 64% da população cortou gastos com lazer, enquanto 60% reduziu o hábito de comer fora de casa e passou a substituir marcas tradicionais por produtos mais baratos nos supermercados. Mais grave ainda é o impacto no consumo de itens essenciais: mais da metade dos brasileiros (52%) relatou ter diminuído a compra de alimentos e 50% reduziu o uso de água, gás e energia elétrica. Em situações de desespero financeiro, 38% dos entrevistados admitiram ter suspendido até mesmo a compra de medicamentos necessários, o que evidencia uma crise que ultrapassa a economia e atinge diretamente a saúde pública.

Diante deste cenário de "aperto financeiro" — que atinge de forma severa ou moderada a grande maioria da população —, as expectativas em torno do Desenrola 2.0 são altas. O Ministério da Fazenda, por meio de seus representantes, já contabiliza mais de um milhão de beneficiados nesta nova fase do programa. O desafio agora reside na operacionalização eficiente dessa ajuda para que o otimismo captado pela pesquisa se converta em realidade prática e melhora nos indicadores de inadimplência. Com a margem de erro da pesquisa apontando precisão estatística, o recado ao governo é claro: políticas de alívio fiscal e renegociação de juros abusivos, como os do crédito rotativo, são as prioridades absolutas para o eleitorado, independentemente de sua inclinação partidária.

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