Caso Orelha: MP de SC investiga monetização de notícias falsas sobre morte de animal
Órgão apura monetização de notícias falsas após apontar falhas graves na investigação policial que envolvia adolescentes.

O Ministério Público de Santa Catarina apura se houve lucro indevido com notícias falsas sobre o cão Orelha. Paralelamente, o órgão apontou falhas na investigação policial e pediu o arquivamento do caso contra adolescentes.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) iniciou uma investigação para apurar se perfis nas redes sociais lucraram com a disseminação de informações falsas sobre a morte do cão Orelha. O animal era um cão comunitário da Praia Brava, em Florianópolis, e seu falecimento em janeiro deste ano gerou grande comoção nacional. O foco da nova apuração, que conta com o suporte do CyberGAECO, braço especializado em crimes digitais, é identificar quem utilizou o caso para gerar engajamento e monetização por meio de conteúdos inverídicos.
A ofensiva do MP ocorre paralelamente à análise crítica do inquérito policial, que apontou inconsistências graves na acusação contra adolescentes suspeitos de agredir o animal. Segundo os promotores, as provas colhidas pela Polícia Civil foram baseadas em testemunhos indiretos e análises de câmeras de segurança que não confirmam o encontro entre os jovens e o cão. O órgão destacou que o monitoramento visual revelou que cão e suspeitos estavam a centenas de metros de distância um do outro no momento do suposto incidente.
Além das falhas geográficas, o Ministério Público identificou que o cachorro apresentava movimentação normal em horários posteriores ao que a polícia indicou como o momento das agressões. Imagens periciais mostram o animal caminhando sem dificuldades pela vizinhança cerca de uma hora depois do período estimado para o ataque. Diante da falta de provas materiais de culpabilidade e do descompasso nos horários registrados, o órgão se manifestou pelo arquivamento da investigação criminal contra os menores.
Com essa nova frente investigativa, o MPSC também pretende discutir a criação de diretrizes para evitar que crimes sensíveis ou situações que envolvam menores de idade sejam explorados financeiramente na internet. A Polícia Civil catarinense, por sua vez, declarou que encerrou sua parte no processo e que respeita o papel constitucional do Ministério Público no oferecimento de denúncia ou arquivamento dos autos, reiterando a independência entre as instituições.






