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Caso Henry Borel: Jairinho será interrogado após Monique por determinação judicial

Decisão atende pedido da defesa e altera ordem de depoimentos; psiquiatra aponta traços sádicos em ex-parlamentar e omissão narcísica de Monique.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 20:003 min
Caso Henry Borel: Jairinho será interrogado após Monique por determinação judicial
Foto: Reprodução
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Justiça do RJ decide que ex-vereador Jairinho deporá após Monique Medeiros no júri do caso Henry Borel. Durante a sessão, psiquiatra descreveu perfil sádico do réu e acusou Monique de priorizar ambição sobre proteção do filho. Depoimento da babá é aguardado sob expectativa de revelações inéditas.

Em um desdobramento jurídico significativo no julgamento do caso Henry Borel, a Justiça do Rio de Janeiro acolheu um pedido de habeas corpus interposto pela defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho. A decisão altera o rito processual e estabelece que o réu será o último a prestar seu depoimento perante o Tribunal do Júri, sendo ouvido somente após a manifestação de Monique Medeiros, mãe da vítima e também acusada no processo. A estratégia dos advogados de Jairinho fundamenta-se no princípio da ampla defesa, uma vez que Monique atribui a autoria dos crimes exclusivamente ao ex-parlamentar. Dessa forma, a defesa argumenta que ele precisa ter conhecimento total das declarações dela para exercer o direito ao contraditório.

O caso, que chocou o país há três anos, gira em torno do homicídio qualificado e da tortura do menino Henry Borel, de apenas quatro anos de idade. As investigações policiais apontaram que a criança faleceu em março de 2021 em decorrência de múltiplas lesões traumáticas sofridas enquanto estava no apartamento do casal, na Barra da Tijuca. Desde o início das sessões deste julgamento, o clima tem sido de intensa tensão entre as bancadas de defesa e acusação. A reorganização da ordem dos interrogatórios é vista como um movimento crucial, pois as estratégias de defesa dos dois réus são conflitantes: enquanto Monique alega ser vítima de um relacionamento abusivo e nega participação nas agressões, Jairinho sustenta inocência em relação à causa da morte.

Durante a audiência realizada nesta quarta-feira (27), o depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon trouxe elementos pesados para o Conselho de Sentença. Atuando como testemunha de acusação, o especialista traçou perfis psicológicos dos acusados com base nos autos e em evidências comportamentais. Segundo Bernardon, o ex-vereador apresenta traços de personalidade perversa, sádica e narcisista, sugerindo que o réu sentia satisfação em infligir dor física a crianças. O psiquiatra citou, inclusive, casos anteriores envolvendo filhos de outras ex-namoradas de Jairinho para exemplificar um padrão de comportamento agressivo em ambientes privados. A fala do especialista foi intensamente contestada pelos advogados de defesa, que alegam falta de ética profissional, uma vez que o médico não entrevistou diretamente os réus para formular tais conclusões.

Com relação a Monique Medeiros, o diagnóstico apresentado pelo psiquiatra foi igualmente severo, porém focado na negligência. Bernardon afirmou que a mãe do menino não se encontrava em estado de subordinação ou coação que a impedisse de proteger o filho. Pelo contrário, o especialista descreveu Monique como uma mulher ambiciosa e autocentrada, que teria priorizado sua ascensão social e interesses materiais em detrimento da segurança de Henry. A acusação reforça a tese de que ela tinha plena ciência dos abusos e optou por se silenciar para manter o padrão de vida e o relacionamento com o então político influente. Monique, que acompanhou as declarações fazendo anotações em papel, nega tais afirmações.

Outro ponto de grande expectativa para as próximas sessões é o depoimento da babá Thayná Ferreira. Ela é considerada uma peça-chave por ter apresentado cronologias conflitantes ao longo do inquérito. Segundo sua defesa, Thayná estaria agora "pronta para falar tudo", alegando que suas versões anteriores foram fruto de pressão e coação psicológica exercida por Monique para ocultar a verdade. O julgamento, que inicialmente estava previsto para durar cerca de uma semana, já sofre atrasos consideráveis devido à extensão dos depoimentos forenses e policiais. Com a inclusão de novas dinâmicas processuais e a complexidade das perícias apresentadas, os próximos passos do júri devem se concentrar em dirimir as contradições entre os relatos da babá e as provas técnicas apresentadas pelos médicos-legistas e investigadores.

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