Caso Ana Clara: Vítima de ataque brutal questiona motivação de cunhado réu por crime no CE
Vítima de tentativa de feminicídio no Ceará afirma que agressor já havia feito ameaças e que fingiu estar morta para sobreviver ao ataque.

Em entrevista, a jovem Ana Clara detalha o violento ataque sofrido em Quixeramobim, onde teve as mãos atingidas por golpes de foice desferidos pelo cunhado a mando do namorado.
Em recuperação após um ataque brutal com uso de foice, a jovem Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, relatou a perplexidade diante da violência sofrida no início de maio, em Quixeramobim, no Ceará. A vítima teve as mãos atingidas — uma delas decepada e a outra gravemente ferida — pelo cunhado, Evangelista Rocha dos Santos, por instigação de seu então namorado, Ronivaldo Rocha dos Santos. Em entrevista recente, Ana Clara afirmou que mantinha pouco contato com o agressor e não compreende a motivação de tamanha hostilidade.
As investigações apontam que o crime ocorreu após uma discussão entre o casal motivada por questões financeiras e ciúmes. Ronivaldo teria buscado o irmão para "dar uma lição" na namorada, momento em que Evangelista invadiu a residência portando uma foice. Além dos ferimentos nos membros superiores, a jovem sofreu cortes profundos em diversas partes do corpo. De acordo com o depoimento da vítima, ela precisou fingir que estava morta para que as agressões cessassem, conseguindo pedir socorro somente após a fuga dos suspeitos.
Os irmãos já foram denunciados pelo Ministério Público e respondem como réus por tentativa de feminicídio. Áudios obtidos pela polícia revelam que ambos consideravam a agressão física um método para impor submissão à mulher. Enquanto Evangelista confessou o ato e detalhou o premeditamento, Ronivaldo alegou embriaguez para justificar lapsos de memória sobre o ocorrido. O órgão ministerial também solicitou uma indenização de R$ 97 mil em favor da vítima.
Internada em Fortaleza, Ana Clara passou por cirurgias complexas de reimplante e reconstrução de tecidos. Apesar da gravidade do quadro, ela já apresenta os primeiros sinais de recuperação motora, voltando a movimentar os dedos gradualmente. Fora do leito hospitalar, a jovem agora utiliza sua voz para alertar outras mulheres sobre os perigos de relacionamentos abusivos, incentivando a busca por ajuda especializada antes que a violência escale para tragédias semelhantes.






