Regalias em presídio militar do AM levam governo a desativar unidade após denúncias de corrupção
Investigação revela que detentos pagavam propina para sair da unidade e mantinham rotina de lazer em Manaus.

Investigação do Ministério Público revela sistema de privilégios e corrupção em núcleo prisional para policiais em Manaus, resultando na desativação da unidade.
Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Amazonas revelou um esquema de privilégios e liberdade vigiada em uma unidade prisional destinada a policiais militares em Manaus. O local, que deveria abrigar detentos acusados de delitos graves como homicídio e tráfico de armas, funcionava com tamanha frouxidão que os próprios internos comparavam a estadia a períodos de descanso. Mensagens interceptadas mostram que o sigilo era fundamental para manter as regalias, com presos demonstrando preocupação de que a opinião pública descobrisse a rotina flexível do sistema.
As irregularidades incluíam saídas frequentes sem acompanhamento de escolta para atividades de lazer, como partidas de futebol em poliesportivos de escolas municipais vizinhas. Além do livre trânsito, as apurações indicam que detentos mantinham o uso ilícito de celulares e até gerenciavam negócios criminais de dentro da cela. O controle de acesso ao núcleo prisional era facilitado por um sistema de corrupção, no qual o pagamento de propinas irrisórias, entre 50 e 70 reais, permitia que os policiais saíssem temporariamente da unidade sem qualquer registro formal.
A estrutura do prédio, originalmente não projetada para funcionar como um presídio de alta segurança, foi apontada como um dos fatores que favoreceram a desordem administrativa e a ausência de fiscalização efetiva. Diante da gravidade dos fatos expostos, o Governo do Estado determinou o fechamento imediato do núcleo e a transferência de todos os 71 internos para uma ala específica dentro de um complexo penitenciário convencional, visando garantir o cumprimento rigoroso das penas e o isolamento adequado dos condenados.





