Brasil e EUA selam trégua comercial temporária após reunião entre Lula e Trump
Governo brasileiro consegue adiar tarifas americanas e propõe cooperação contra crime organizado em Washington.

Encontro na Casa Branca estabelece grupo de trabalho para evitar novas taxas sobre produtos brasileiros. Discussões envolveram ainda minerais críticos e estratégias de combate ao crime organizado.
O encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca resultou em um alívio temporário para as exportações brasileiras. O principal avanço da reunião foi o compromisso de criar um grupo de trabalho para analisar as divergências tarifárias em um prazo de 30 dias. Para Brasília, essa medida funciona como uma tregua estratégica, garantindo que novas barreiras alfandegárias não sejam aplicadas pelos Estados Unidos nos próximos meses, período que antecede as eleições presidenciais americanas.
As negociações foram marcadas por momentos de pressão, especialmente vindos de Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA. O oficial defendeu a aplicação de impostos sobre produtos brasileiros alegando que as taxas de importação do Brasil continuam excessivas para as empresas norte-americanas. Em contrapartida, a equipe de Lula argumentou que o saldo comercial é amplamente favorável aos Estados Unidos — com um déficit brasileiro que pode chegar a US$ 30 bilhões —, o que invalidaria a tese de práticas desleais sob a Seção 301 da Lei de Comércio.
Outro ponto de destaque foi o interesse menor do que o esperado por parte de Trump no tema das terras raras, apesar do Brasil deter as maiores reservas desses minerais fora da China. Embora Lula tenha apresentado os avanços do novo marco legal de minerais críticos no Congresso e manifestado o desejo de parcerias que agreguem valor no território nacional, nenhum pacto foi formalizado. A avaliação da delegação é de que os EUA já estão avançando de forma privada nessa área por meio de aquisições de mineradoras brasileiras.
No campo da segurança, o governo brasileiro agiu formalmente para evitar que facções criminosas nacionais, como o PCC e o Comando Vermelho, sejam classificadas por Washington como grupos terroristas globais. A gestão petista entregou uma proposta oficial focada no combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro, buscando substituir possíveis intervenções estrangeiras por um modelo de cooperação internacional conjunta na América Latina.





