Áudios detalham pressão de Flávio Bolsonaro por verbas para filme sobre o pai
Mensagens revelam pressão de senador sobre banqueiro para garantir repasses destinados a filme biográfico internacional.

Novas revelações mostram o envolvimento direto do senador Flávio Bolsonaro na cobrança de R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mensagens e áudios revelados recentemente expõem a participação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na captação de recursos para a produção cinematográfica "Dark Horse", que retrata a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com informações divulgadas pelo Intercept Brasil e confirmadas por fontes ligadas a investigações oficiais, o parlamentar teria pressionado o banqueiro Daniel Vorcaro para que fossem realizados repasses financeiros destinados ao projeto, que envolvem cifras superiores a R$ 60 milhões enviadas a fundos internacionais.
Nos registros obtidos, o senador demonstra preocupação com o cronograma da produção e cobra pagamentos atrasados, mesmo reconhecendo as dificuldades institucionais enfrentadas pelo banco de Vorcaro na época. Em um dos áudios datados de setembro passado, Flávio afirma que a equipe do filme estaria tensa devido à inadimplência de parcelas e reforça que o sucesso da obra dependia da regularização dos depósitos. O senador teria atuado como intermediário constante, promovendo inclusive encontros entre o empresário e o ator principal do longa, Jim Caviezel.
As comunicações entre as partes eram marcadas por um tom de proximidade e o uso de recursos de mensagens efêmeras para manter o sigilo das conversas. Em um dos diálogos, o congressista declara apoio incondicional ao banqueiro pouco antes de Vorcaro ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Ao ser confrontado sobre o teor das mensagens e a origem dos recursos, Flávio Bolsonaro se limitou a declarar que as transações envolviam exclusivamente capital privado, evitando detalhar a natureza dos acordos.
A investigação aponta que os valores desembolsados pelo banqueiro foram destinados a uma estrutura financeira sediada nos Estados Unidos, gerida por pessoas próximas a Eduardo Bolsonaro. A situação ganha contornos mais complexos devido à prisão de Vorcaro em novembro, decorrente de apurações sobre esquemas de corrupção e intimidação policial. Até o momento, a defesa dos envolvidos mantém o posicionamento de que as tratativas se restringem ao âmbito dos negócios particulares de entretenimento.





