Algumas pessoas são deliciosas
Têm a delicadeza de transformar ambientes escuros em lugares iluminados, de tornar tudo mais leve.


Algumas pessoas são deliciosas
Algumas pessoas são deliciosas. Não no sentido literal da palavra, mas porque são companhias que, por alguns instantes, nos fazem esquecer todas as dores. Têm a delicadeza de transformar ambientes escuros em lugares iluminados, de tornar tudo mais leve.
Algumas pessoas são deliciosas de ouvir. Suas palavras entram pelos ouvidos e pelo coração, e fazem festa dentro da gente — como quando cantamos no banheiro em alta voz, sem nos importar com regras ou afinação.
Algumas pessoas são deliciosas porque encontram tempo para conversar olhando nos olhos. Nos momentos de fragilidade, transmitem esperança renovada pela confiança que nasce da verdade percebida no olhar. Prestam atenção sem condenar, sem julgamentos, e nos fazem sentir acarinhados pelos olhares e amados pelo coração.
Algumas pessoas são deliciosas porque nos deixam à vontade, desarmados, como em casa. Com elas não precisamos vestir armaduras nem explicar os tantos “porquês” que outros nos cobram. Esse "outros" insistem em nos envenenar e ter sua aparência fria, são desconfiadas da vida, do sol, da lua e as estrelas. Não estamos em trincheiras opostas, mas lado a lado, vivendo o bom da vida.
Algumas pessoas são deliciosas porque não precisam fazer muito: um simples “bom dia” já parece um samba; sua presença é sol quando precisamos de luz, e noite quando precisamos de calma. São aquelas que, ao nos ver, fazem festa — e no íntimo nos perguntamos: “O que eu fiz para merecer tanto?”.
Essas pessoas têm o encanto de transformar tudo ao redor. Percebem quando não estamos bem, oferecem o tempo que regenera, conserta e torna tudo mais fácil. Com elas nos sentimos gigantes.
Algumas pessoas são deliciosas mesmo vivendo em um trem desgovernado. Elas nos ajudam a atravessar as intempéries da vida com paciência e confiança. Amo as pessoas que têm esse dom da calmaria.
São deliciosas porque são simples, honestas com os sentimentos, livres para sentir com o coração. Fazem distinção das coisas, mas nunca das pessoas. Com elas somos unidos, nos embelezamos com um abraço generoso, sem barreiras. São seguras de si, do coração e da alma.
Pessoas deliciosas que conheço têm bondade na alma, no espírito e no coração, carregam leveza no olhar capaz de dissipar qualquer dor, angústia ou sofrimento. Diferente de outras que, por onde passam, apagam a luz.
Essas pessoas filtram o ruído ao redor. Talvez pareça estranho usar a palavra “deliciosas” aqui. Se você pensou assim, então este texto não é para você. Pessoas deliciosas me dão água na boca porque são educadas, inteligentes, cheias de luz própria. Antes de falar, escutam. São cativantes, conscientes, empáticas e decentes.
São aquelas que colocam sabor na nossa vida, independente das circunstâncias, do momento ou da emoção. Com elas não somos nada e, ao mesmo tempo, somos tudo. Afinal, são humanas — bem humanas — e muito bem resolvidas.
Antonio Marcos de Souza
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