Tragédia em Teresina: Sobrevivente relata dor e sequelas após acidente que matou três pessoas
A advogada Diana Abreu, que perdeu o marido e a sobrinha em grave colisão, alerta para a imprudência que destrói famílias no estado.

Em depoimento emocionante, a advogada Diana Abreu relembra a colisão fatal que vitimou seu marido e sobrinha no Piauí. O caso alerta para os índices alarmantes de mortalidade no trânsito do estado, que lidera o ranking de violência viária no país.
Um relato carregado de emoção e indignação trouxe novamente à tona a discussão sobre a violência no trânsito em Teresina. A advogada Diana Abreu, sobrevivente de uma colisão catastrófica ocorrida no cruzamento das avenidas Gil Martins e Barão de Castelo Branco, compartilhou o impacto devastador da tragédia que vitimou seu marido, Jardyel de Abreu Pessoa, sua sobrinha, Débora Mavy de Abreu Ramos, e o jovem Wesley Moura. Em um depoimento divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) nesta quinta-feira (28), Diana enfatizou que os projetos de vida de sua família foram abruptamente interrompidos por uma imprudência que ela se recusa a classificar como mero acidente.
O episódio fatídico aconteceu no dia 1º de agosto de 2025 e envolveu quatro veículos após uma colisão de alta energia. O acusado de causar o desastre foi identificado como Raimundo Nonato da Conceição Morais, que teria avançado o sinal vermelho em alta velocidade. Atualmente preso, Raimundo foi indiciado por homicídio com a qualificadora de perigo comum, uma vez que sua conduta colocou em risco um número indeterminado de pessoas em uma das áreas mais movimentadas da capital piauiense. Para os familiares das vítimas, a responsabilização criminal é um passo necessário, mas insuficiente para aplacar a dor da perda de entes queridos em circunstâncias tão evitáveis.
Além do luto, Diana Abreu enfrenta agora o desafio de cuidar da filha, Smyrna, que sobreviveu ao impacto mas carrega sequelas graves. A criança sofreu uma fratura severa na região abdominal e um estrangulamento da bexiga, demandando um acompanhamento médico contínuo e exaustivo para tentar recuperar a normalidade de suas funções fisiológicas. "Com essa tragédia, os nossos sonhos ficaram pelo caminho", desabafou a advogada, que hoje assume sozinha a criação da filha e a gestão de um lar marcado pela ausência. O relato de Diana serve como um poderoso alerta para as consequências duradouras que a imprudência ao volante impõe não apenas às vítimas fatais, mas aos que restam.
O cenário de insegurança viária no Piauí é corroborado por dados alarmantes apresentados pelo Observatório de Trânsito da SSP-PI e pelo Atlas da Violência. Entre janeiro e maio de 2026, o estado já contabilizou 417 mortes em sinistros de trânsito. O levantamento destaca uma realidade crítica: em 2024, o Piauí registrou o pior índice de mortalidade de motociclistas em todo o Brasil, com uma taxa geral de 34,4 mortes para cada 100 mil habitantes. Esse número é impulsionado pelo aumento da frota de duas rodas, muitas vezes utilizada como principal meio de sustento por trabalhadores de baixa renda e entregadores de aplicativos, que ficam vulneráveis em um sistema viário onde a fiscalização e o respeito às sinalizações muitas vezes falham.
A divulgação do vídeo com o depoimento de Diana Abreu faz parte de uma estratégia de sensibilização da Segurança Pública para tentar frear a escalada de violência nas ruas. Dário Heider, irmão de Jardyel, descreveu o local da tragédia como uma cena angustiante, comparando o veículo da família a uma "folha de papel amassada" devido à violência da batida. Para as autoridades e especialistas em mobilidade, o caso reforça a necessidade urgente de intervenções de engenharia de tráfego, educação rigorosa de condutores e punições severas para crimes de trânsito. O que se espera, a partir de agora, é que a justiça siga o rito legal e que histórias como a de Diana motivem mudanças reais no comportamento de quem conduz veículos pelas vias públicas do país.






