Tecnologia gaúcha utiliza drones e solução biológica para combater carrapatos no campo
Estratégia do Instituto Desidério Finamor foca no combate biológico em pastagens para enfrentar a resistência dos parasitas a produtos químicos.

Pesquisadores gaúchos utilizam drones para aplicar defensivos biológicos em pastagens, combatendo carrapatos resistentes a venenos químicos. A técnica foca no ambiente externo e oferece menor custo ao produtor.
Uma iniciativa científica no Rio Grande do Sul está transformando o combate ao carrapato bovino, um dos problemas mais persistentes da pecuária nacional. Sob a liderança do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), pesquisadores desenvolveram um método que utiliza drones para pulverizar biopesticidas diretamente nas pastagens. Diferente das práticas tradicionais que focam no tratamento do gado, essa estratégia atinge o parasita no ambiente externo, onde se concentra a maior parte da infestação.
A solução aplicada consiste em microrganismos naturais do solo, selecionados por sua letalidade contra o carrapato e reproduzidos em alta concentração. De acordo com os especialistas do instituto, o uso de agentes biológicos surge como uma resposta necessária à crescente resistência dos parasitas aos venenos químicos convencionais. A pulverização aérea permite que o controle seja feito de forma cirúrgica, focando na vulnerabilidade do inseto fora do hospedeiro animal.
O diferencial tecnológico reside no emprego de aeronaves remotamente pilotadas, que viabilizam a aplicação durante os períodos noturno ou de madrugada. Esses horários são estratégicos para preservar a eficácia dos microrganismos, que poderiam ser degradados pela radiação solar. Além da precisão técnica, o sistema reduz drasticamente o volume de líquido necessário e dispensa maquinário terrestre pesado, tornando o processo financeiramente acessível para pequenos e médios produtores rurais.
Atualmente, o projeto busca consolidar um protocolo técnico que possa ser adotado pela indústria farmacêutica veterinária. O objetivo final é viabilizar a fabricação em larga escala de um produto biológico inédito no mercado brasileiro. Caso os resultados sejam validados, a técnica promete oferecer um equilíbrio entre sustentabilidade ambiental e eficiência econômica para a pecuária gaúcha e brasileira.






