Economia

Tarifas de Trump: Veja produtos brasileiros isentos de taxa de 25% e as críticas de Washington

EUA propõem taxa de 25% sob a Lei de Comércio; agronegócio e setor farmacêutico têm isenções.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 11:003 min
Tarifas de Trump: Veja produtos brasileiros isentos de taxa de 25% e as críticas de Washington
Foto: Reprodução
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EUA propõem sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, citando práticas desleais no comércio digital e falhas no combate à corrupção. Agronegócio e aviação ganham isenções estratégicas em meio à crise diplomática.

A tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas atingiu um novo patamar com o anúncio de uma proposta de tarifação de 25% sobre mercadorias brasileiras por parte do governo de Donald Trump. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) detalhou, nesta semana, os resultados de uma investigação fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, concluindo que diversas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e prejudicam o fluxo comercial norte-americano. Apesar da severidade da medida, o documento oficial estabelece uma lista de isenções que abrange setores estratégicos, como o agronegócio e a indústria farmacêutica, oferecendo um respiro momentâneo para parte dos exportadores nacionais.

O cenário atual é fruto de uma investigação iniciada em julho de 2025, logo após o retorno de Trump à presidência. O governo republicano fundamenta as punições em seis eixos críticos que, segundo Washington, demonstram um ambiente hostil aos interesses dos EUA. Entre as críticas mais contundentes estão as quebras de reciprocidade no mercado de etanol, a suposta ineficiência no combate ao desmatamento ilegal e falhas na proteção da propriedade intelectual — especificamente a demora do INPI em analisar patentes. Além disso, os Estados Unidos apontam o sistema de pagamentos Pix como uma ferramenta que favorece bancos locais em detrimento de empresas de tecnologia financeira americanas, e questionam a transparência jurídica no Brasil após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam processos de corrupção.

Para o setor produtivo brasileiro, a lista de exceções é o dado mais relevante do anúncio. Estão fora da sobretaxa de 25% produtos de cesta básica de exportação, como carnes, frutas, minerais, café, chá e cereais. Itens de alta tecnologia e insumos industriais vitais, como aeronaves e suas peças (setor liderado pela Embraer), terras raras, fertilizantes e produtos farmacêuticos também estão protegidos. Essa seletividade indica que a Casa Branca busca punir o governo brasileiro politicamente e pressionar por reformas regulatórias sem, contudo, desestruturar cadeias de suprimentos globais das quais a própria economia americana depende para manter a inflação sob controle.

As implicações diplomáticas são profundas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha tentando manter um canal de diálogo direto com Trump para evitar retaliações, especialmente após o governo brasileiro classificar organizações criminosas nacionais como grupos terroristas, o que gerou ruídos diplomáticos e questionamentos sobre a segurança de ativos estrangeiros. No entanto, o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as divergências permanecem "substanciais". A decisão frustra a estratégia brasileira de neutralizar a "agenda de tarifas" através de grupos de trabalho bilaterais, que se mostraram insuficientes para frear a ofensiva protecionista da nova administração americana.

O cronograma para a implementação definitiva das taxas agora entra em uma fase consultiva. O governo e as empresas brasileiras têm até meados de 2026 para contestar os pontos da investigação. Haverá um prazo para comentários por escrito até julho do próximo ano, seguido por audiências públicas. A data crítica é 15 de julho de 2026, prazo final estabelecido pela legislação americana para que as medidas corretivas entrem em vigor. Até lá, o Brasil enfrenta um período de incerteza econômica que pode impactar o câmbio e os investimentos estrangeiros, enquanto tenta renegociar os termos de sua relação comercial com o país que, historicamente, é um de seus maiores parceiros.

Este movimento de Trump não é isolado, mas faz parte de uma política externa pautada pelo uso de tarifas como ferramenta de barganha geopolítica, semelhante ao que foi feito com a China em mandatos anteriores. Para o Brasil, o desafio será equilibrar a soberania de suas políticas digitais e ambientais com a necessidade de acesso ao mercado americano. O mercado agora aguarda as respostas oficiais do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que devem intensificar os esforços de lobby em Washington para expandir a lista de isenções e suavizar o impacto do que já está sendo chamado nos bastidores de "o novo tarifaço".

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