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Suspeita de tortura e abuso contra bebê de um ano em Guarujá nega crimes à polícia

Iarley do Nascimento justificou queimaduras como acidente com chapinha, mas laudo do IML aponta violência sexual e agressões reiteradas.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 09:003 min
Suspeita de tortura e abuso contra bebê de um ano em Guarujá nega crimes à polícia
Foto: Reprodução
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Iarley do Nascimento Bezerra, de 23 anos, foi presa temporariamente em Guarujá (SP) suspeita de tortura e estupro contra o próprio filho de um ano. O laudo do IML revelou queimaduras de cigarro e violência sexual; a defesa alega acidente doméstico e nega os abusos.

Uma tragédia que chocou a cidade de Guarujá, no litoral de São Paulo, ganhou novos desdobramentos após a prisão de Iarley do Nascimento Bezerra, de 23 anos, mãe do pequeno Noah, de apenas um ano. A mulher e um homem identificado como José Erasmo Felix Mouzinho foram detidos sob a suspeita de envolvimento em crimes brutais de tortura e estupro de vulnerável. O caso veio à tona após o bebê dar entrada sem vida em uma unidade de saúde local, apresentando uma série de lesões alarmantes que imediatamente acionaram o protocolo de investigação policial e pericial.

Inicialmente, a ocorrência foi tratada pelas autoridades como e "morte suspeita", e os envolvidos chegaram a ser liberados após os primeiros depoimentos. No entanto, a reviravolta no caso ocorreu com a conclusão de um laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML). O documento pericial detalhou um cenário de horror: o corpo da criança carregava marcas de agressões recorrentes, incluindo cortes nos punhos, arranhões e queimaduras circulares que os investigadores acreditam terem sido provocadas por bitucas de cigarro. O dado mais perturbador do exame apontou lesões traumáticas graves na região anal, configurando fortes indícios de abuso sexual contínuo.

Em sua defesa na delegacia, Iarley negou veementemente qualquer intenção de ferir o filho e tentou justificar as marcas no corpo do bebê como acidentes domésticos. Sobre uma das queimaduras, a suspeita alegou que o menino teria tocado acidentalmente em uma chapinha de cabelo enquanto ela utilizava o aparelho. Quanto aos demais ferimentos e às evidências de violência sexual, a mãe afirmou desconhecer a origem. José Erasmo, dono do imóvel onde Iarley residia, também negou participação nos fatos, alegando ter tido pouco contato com a criança ao longo de sua vida, embora tenha descrito a suspeita como uma "boa mãe" momentos antes do óbito.

O depoimento de outros familiares, contudo, traça um perfil muito diferente da realidade vivida no imóvel de cômodo único. O pai biológico de Noah e a avó paterna relataram às autoridades uma situação de abandono e falta de higiene extrema. De acordo com a avó, o ambiente onde a criança vivia era insalubre, com acúmulo de lixo, louça suja e a presença constante de pragas como ratos, baratas e percevejos. Além disso, surgiram denúncias graves sobre o comportamento da mãe: relatos apontam que Iarley seria usuária frequente de entorpecentes, especificamente a K2, uma droga sintética altamente nociva, o que poderia explicar a negligência severa com os cuidados básicos do filho.

A repercussão do caso levanta debates importantes sobre a rede de proteção à primeira infância e a eficácia das denúncias de maus-tratos. No Brasil, o crime de tortura contra criança, quando resulta em morte, prevê penas severas, que se somam às qualificadoras de estupro de vulnerável. A Polícia Civil de Guarujá agora aguarda exames laboratoriais complementares para determinar a causa exata da morte de Noah — se ocorreu em decorrência dos abusos físicos ou se houve outras causas fisiológicas agravadas pela negligência sistemática. Enquanto isso, a prisão temporária dos suspeitos visa garantir que as provas não sejam destruídas e que a instrução criminal prossiga com segurança.

Este triste episódio ressalta a necessidade de vigilância constante por parte de vizinhos e familiares em casos de vulnerabilidade social extrema. Para o leitor brasileiro, casos como este trazem à tona a discussão sobre o monitoramento de famílias em situação de risco pelo Conselho Tutelar e pelos serviços de assistência social. A investigação continua em curso na Delegacia Sede de Guarujá, e os detidos devem passar por novas oitivas conforme os laudos definitivos forem anexados ao inquérito policial, que agora corre sob a tipificação de crimes hediondos.

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