São João da Barra normaliza fornecimento de energia após apagão que atingiu 19 mil pessoas
Interrupção causada por rompimento de cabo em área de difícil acesso mobilizou técnicos e afetou serviços essenciais no Norte Fluminense.

Após quase 20 horas de escuridão, moradores de São João da Barra voltam a ter luz após rompimento de cabo em área de difícil acesso. O incidente afetou 19 mil pessoas e exigiu mobilização de equipes em áreas de mata densa.
A população de São João da Barra, localizada no Norte Fluminense, enfrentou momentos de grande transtorno após uma interrupção massiva no fornecimento de energia elétrica que atingiu cerca de 19 mil consumidores. O problema, que teve início na noite de quinta-feira (28), só foi completamente solucionado no meio da tarde desta sexta-feira (29), quando a concessionária Enel Rio confirmou o restabelecimento total do serviço. A falha técnica teve origem em um incidente em uma das linhas de distribuição fundamentais que alimentam tanto o município sanjoanense quanto a vizinha Campos dos Goytacazes, gerando um efeito cascata que prejudicou residências e estabelecimentos comerciais durante horas consecutivas.
De acordo com os esclarecimentos técnicos fornecidos pela concessionária de energia, a paralisação do serviço foi desencadeada pelo desarme de uma linha de transmissão crucial. Investigações preliminares e o trabalho de campo das equipes de manutenção identificaram que o motivo principal foi o rompimento de um cabo de alta tensão. O agravante da situação foi a localização geográfica do dano: o ponto de ruptura estava situado em uma área de preservação ambiental com vegetação fechada e interceptada por um curso d'água, o que dificultou severamente o acesso das equipes de reparo e o transporte de equipamentos necessários para a manutenção emergencial.
Enquanto os técnicos trabalhavam fisicamente no local do rompimento, a central de operações da Enel Rio tentou minimizar o impacto por meio de manobras remotas na rede. Essas estratégias de redirecionamento de carga permitiram que o município de Campos dos Goytacazes tivesse o serviço normalizado ainda durante o período da manhã. No entanto, em São João da Barra, a configuração da rede e a gravidade do dano impediram que a mesma agilidade fosse aplicada, mantendo milhares de moradores no escuro até as 15h. A prefeita do município, Carla Caputi, utilizou seus canais oficiais de comunicação para manter a população informada e pressionar a concessionária por uma solução célere, destacando a vulnerabilidade da região em eventos dessa natureza.
Para garantir que serviços essenciais não fossem interrompidos, a Prefeitura de São João da Barra ativou protocolos de contingência. A unidade de pronto atendimento e emergência da cidade operou sem interrupções graças ao acionamento imediato de geradores a diesel, garantindo que pacientes e procedimentos médicos não fossem afetados pela pane elétrica. Apesar da manutenção dos serviços de saúde, o setor comercial relatou perdas, especialmente em estabelecimentos que dependem de refrigeração, como açougues e supermercados, além de afetar o cotidiano doméstico em uma região marcada por altas temperaturas, onde o uso de ventilação e ar-condicionado é constante.
Este incidente reacende o debate sobre a resiliência da infraestrutura elétrica no interior do Rio de Janeiro. A dependência de linhas de transmissão que atravessam áreas de difícil acesso geográfico representa um desafio logístico contínuo para as concessionárias e um risco recorrente para os consumidores. A expectativa agora é que a Enel Rio realize vistorias preventivas e reforços estruturais na linha afetada para evitar que novos rompimentos em áreas de mata ou rios causem apagões prolongados. Para o leitor brasileiro, especialmente o fluminense, o caso serve como um lembrete da importância de investimentos em redes inteligentes e redundância de sistemas, capazes de isolar falhas geográficas sem comprometer o abastecimento de cidades inteiras.






