Revolução Cultural: os 60 anos do movimento que transformou e traumatizou a China
Lançada há 60 anos por Mao Tsé-Tung, a campanha mergulhou o país no caos e deixou cicatrizes profundas na sociedade chinesa.

A Revolução Cultural Chinesa completa 60 anos, relembrando uma década de expurgos violentos, caos social e o culto extremo à personalidade de Mao Tsé-Tung. Atroz e transformador, o período moldou a política e a economia da China atual.
Há seis décadas, Mao Tsé-Tung iniciava a Revolução Cultural, um dos períodos mais conturbados da China contemporânea. Após o fracasso do "Grande Salto Adiante" — projeto de industrialização acelerada que gerou uma fome devastadora e dezenas de milhões de mortes —, o líder comunista buscou retomar sua hegemonia política. Para isso, convocou a população, especialmente os jovens, a se insurgirem contra qualquer forma de autoridade, desde professores até gestores de fábricas, sob o pretexto de eliminar influências capitalistas e tradições antigas.
O movimento foi marcado pelar atuação da Guarda Vermelha, composta por estudantes que idolatravam Mao e seguiam fielmente o seu "Pequeno Livro Vermelho". O país mergulhou no caos: instituições de ensino pararam, intelectuais foram perseguidos e o patrimônio histórico foi amplamente destruído. A violência atingiu tal nível que o próprio regime precisou intervir anos depois, enviando milhões de jovens urbanos para o trabalho forçado no campo para aplacar a instabilidade nas cidades.
Com a morte de Mao em 1976, a China iniciou um processo de transição sob o comando de Deng Xiaoping. O novo governo preservou a imagem do fundador como um herói "70% correto", mas responsabilizou grupos radicais, como a Gangue dos Quatro, pelos excessos do período. Essa manobra permitiu que o Partido Comunista mantivesse o controle político enquanto abria a economia ao capitalismo, moldando a superpotência que conhecemos hoje, embora as feridas sociais daquela década de perseguições ainda ressoem na memória de muitos chineses.






