Qualidade do café: Guia técnico detalha como armazenar grãos para evitar perdas na safra
Guia elaborado pelo CNC e Emater-MG traz orientações cruciais sobre umidade, ventilação e estrutura para preservar a qualidade dos grãos.

Conselho Nacional do Café e Emater-MG lançam guia com orientações técnicas para evitar perdas na qualidade dos grãos. Saiba como a estrutura do armazém e o controle de umidade são essenciais para manter o valor de mercado da safra brasileira.
A preservação da qualidade do café após a colheita é um dos maiores desafios enfrentados por produtores rurais, cooperativas e até mesmo pelo consumidor final que busca manter as propriedades sensoriais da bebida. Recentemente, o Conselho Nacional do Café (CNC), em uma colaboração estratégica com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), lançou um guia detalhado com diretrizes técnicas sobre o armazenamento correto dos grãos. A iniciativa visa mitigar perdas financeiras e qualitativas, garantindo que o esforço empregado no cultivo e na colheita não seja desperdiçado por condições inadequadas de estocagem, um problema comum que afeta diretamente o valor de mercado das sacas.
Historicamente, a fase de pós-colheita é considerada crítica para a cafeicultura brasileira. O café é um organismo higroscópico, o que significa que ele tem a capacidade de absorver ou liberar umidade para o ambiente. Se armazenado em locais úmidos ou com ventilação precária, o grão pode sofrer processos de fermentação indesejada, oxidação e proliferação de fungos, como o Aspergillus ochraceus, que pode produzir micotoxinas prejudiciais à saúde humana. Além das questões sanitárias, o armazenamento incorreto acelera o envelhecimento dos grãos, fazendo com que percam óleos essenciais e aromas complexos, resultando em uma bebida de sabor "chumbado" ou excessivamente amargo, o que reduz drasticamente a pontuação em classificações de cafés especiais.
De acordo com as orientações técnicas do CNC e da Emater-MG, a estrutura física do armazém desempenha um papel fundamental. Recomenda-se que o local seja seco, bem ventilado e protegido da luz solar direta. A temperatura interna deve ser mantida o mais constante possível, idealmente em níveis amenos, para evitar oscilações que provoquem a condensação interna nas embalagens. Outro ponto crucial destacado no material é a proibição do contato direto das sacas com o chão ou com as paredes; o uso de estrados de madeira (pallets) é indispensável para permitir a circulação de ar por baixo e ao redor dos lotes, funcionando como uma barreira física contra a umidade que sobe do solo.
Para o produtor brasileiro, seguir essas recomendações é uma questão de sobrevivência econômica em um mercado cada vez mais exigente. O Brasil, como maior produtor e exportador mundial de café, enfrenta uma concorrência global centrada na sustentabilidade e na rastreabilidade. A manutenção da "bebida dura" ou de padrões superiores através de um armazenamento de excelência permite que o agricultor negocie melhores preços, fugindo das oscilações negativas das commodities. O guia reforça que o controle da umidade do grão deve estar entre 11% e 12% no momento da entrada no armazém, garantindo a estabilidade química necessária para longos períodos de espera até o escoamento da safra.
Olhando para o futuro, a tendência é que as estruturas de armazenagem se tornem cada vez mais tecnológicas, com o uso de silos climatizados e sistemas de monitoramento por sensores que alertam sobre picos de temperatura em tempo real. No entanto, o material pedagógico da Emater-MG e do CNC foca na democratização da informação, oferecendo soluções acessíveis que podem ser aplicadas desde pequenas propriedades familiares até grandes infraestruturas logísticas. O próximo passo para o setor é a ampla disseminação dessas práticas, assegurando que a excelência do café brasileiro seja mantida da árvore até a xícara do consumidor, fortalecendo a imagem do produto nacional no exterior.





