Economia

Avibras retoma operações e recebe selo de Empresa Estratégica de Defesa do governo

A medida oficializada pelo Ministério da Defesa reconhece a importância da companhia de Jacareí para a soberania nacional e garante acesso a incentivos e contratos públicos direcionados.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 17:003 min
Avibras retoma operações e recebe selo de Empresa Estratégica de Defesa do governo
Foto: Reprodução
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O Ministério da Defesa credenciou a Avibras Aeroco como Empresa Estratégica de Defesa (EED). A decisão marca a recuperação da companhia após anos de crise financeira e uma das greves mais longas da indústria brasileira.

O Ministério da Defesa do Brasil oficializou, nesta quarta-feira (27), o credenciamento da Avibras Aeroco como Empresa Estratégica de Defesa (EED). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União através de uma portaria assinada pelo ministro José Mucio Monteiro Filho. Este reconhecimento marca um ponto de virada crucial para a companhia sediada em Jacareí, no interior de São Paulo, que recentemente passou por um profundo processo de reestruturação após enfrentar uma das crises financeiras mais severas de sua história. A nova denominação, Avibras Aeroco, substitui a antiga Avibras Indústria Aeroespacial, sinalizando uma nova fase operacional e administrativa sob o comando de Sami Hassuani.

O status de Empresa Estratégica de Defesa não é apenas um título honorífico; trata-se de um mecanismo legal e institucional que vincula a companhia diretamente aos interesses de soberania nacional. Para ser classificada como tal, a empresa deve deter tecnologias críticas e conhecimentos indispensáveis à proteção do território e dos recursos brasileiros. Historicamente, a Avibras é conhecida pelo desenvolvimento de sistemas sofisticados, como o Sistema ASTROS (Artillery Saturation Rocket System), exportado para diversos países e peça-chave na artilharia do Exército Brasileiro. A perda de sua viabilidade operacional representava, até então, um risco de desidratação tecnológica para a Base Industrial de Defesa (BID).

A retomada das atividades, ocorrida no início de maio, encerrou um ciclo de quase três anos de incertezas. Desde setembro de 2022, os trabalhadores da planta de Jacareí mantinham uma greve por falta de pagamento de salários, totalizando mais de 1.200 dias de paralisação — um dos movimentos grevistas mais longos registrados na indústria metalúrgica nacional. O retorno foi viabilizado por um acordo complexo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que estabeleceu um cronograma para a quitação das dívidas trabalhistas. Agora, com o selo de EED, a Avibras Aeroco ganha fôlego institucional para buscar novos contratos e estabilizar seu fluxo de caixa através de mecanismos governamentais.

Na prática, o credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa abre portas para benefícios específicos, como o acesso a regimes tributários diferenciados e a participação em licitações públicas com cláusulas de preferência ou exclusividade, baseadas na Lei 12.598/2012. Além disso, a empresa torna-se elegível para programas de fomento à inovação e financiamentos facilitados via bancos de desenvolvimento, como o BNDES e a Finep. Para o mercado de defesa brasileiro, a reabilitação da Avibras é vista como essencial para manter a autonomia produtiva e diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras em componentes balísticos e aeroespaciais.

Em comunicado oficial, a Avibras Aeroco destacou que a portaria do Ministério da Defesa reafirma seu papel no desenvolvimento científico e tecnológico do país. A expectativa agora gira em torno da capacidade da empresa em honrar seus compromissos internacionais e retomar a produção em larga escala. A gestão de Sami Hassuani foca em uma expansão sustentável, visando não apenas o mercado doméstico, mas também a recuperação de parcerias internacionais que foram abaladas durante o período de inatividade. O cenário futuro para a companhia depende agora da eficácia na execução desse plano de retomada e da manutenção do apoio estratégico do governo federal para consolidar sua permanência como pilar da indústria bélica nacional.

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