Prefeitura de Salvador acusa rodoviários de descumprir liminar durante paralisação
Órgão municipal afirma que determinação de manter 60% da frota nos horários de pico foi ignorada pelo sindicato da categoria.
A Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) denunciou o descumprimento da decisão judicial que exigia a circulação de 60% da frota de ônibus em horários de pico nesta sexta-feira (22), gerando caos no transporte público da capital.
A manhã desta sexta-feira (22) em Salvador foi marcada por um cenário de paralisia e dificuldades extremas para os trabalhadores que dependem do transporte público. A Secretaria de Mobilidade (Semob) da capital baiana confirmou, por meio de uma nota oficial, que o sindicato que representa os rodoviários descumpriu a determinação judicial emitida previamente. A liminar estabelecia que, mesmo diante de um estado de greve ou paralisação, as empresas de ônibus e os profissionais do setor deveriam garantir a circulação de pelo menos 60% da frota durante os horários de pico, visando mitigar os impactos negativos sobre o direito de ir e vir da população soteropolitana.
O imbróglio entre a categoria e a gestão municipal não é recente. As negociações em torno da campanha salarial deste ano têm sido pautadas por impasses significativos. Os rodoviários pleiteiam reajustes salariais que acompanhem a inflação, melhores condições de jornada de trabalho e a manutenção de benefícios como o ticket alimentação e o acesso a planos de saúde. Por outro lado, o sindicato patronal e a prefeitura argumentam que o sistema de transporte opera em um limite financeiro delicado, agravado pelos custos operacionais crescentes e pela concorrência com o transporte por aplicativos, o que dificultaria o atendimento integral das demandas sem um aumento proporcional nas tarifas pagas pelos usuários.
De acordo com os monitoramentos realizados pela Semob nas primeiras horas do dia, a adesão ao movimento de paralisação foi quase total em diversas garagens da cidade, ignorando a cota mínima exigida pela Justiça. Em pontos estratégicos, como a Estação Mussurunga, a Estação Pirajá e o Terminal da Lapa, as plataformas ficaram desertas de veículos, mas lotadas de passageiros surpresos com a falta de opções. O descumprimento da medida judicial pode acarretar sanções pesadas para a entidade sindical, incluindo multas diárias que somam valores vultosos. A prefeitura informou que está documentando as irregularidades para encaminhar ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), reforçando a necessidade de penalidades pelo desrespeito à ordem pública.
Para o cidadão brasileiro, e especificamente o soteropolitano, esse tipo de conflito expõe a fragilidade dos modelos de mobilidade urbana nas grandes capitais. A falta de ônibus não afeta apenas o deslocamento individual; ela trava a economia local, impede a chegada de profissionais a serviços essenciais como hospitais e escolas, e sobrecarrega outros modais, como o metrô, que embora tenha continuado operando, não possui capilaridade para substituir todas as linhas de ônibus. As consequências de uma paralisação sem aviso ou sem o cumprimento do contingente mínimo são sentidas de forma desproporcional pelas populações das periferias, que residem em locais mais distantes de seus postos de trabalho e possuem menos alternativas de transporte.
O desenrolar desta crise deve seguir para a esfera jurídica e para novas rodadas de negociação mediadas pelo Ministério Público do Trabalho. A expectativa é que, com o agravamento da situação e a pressão popular, as partes cedam em pontos cruciais para evitar que a greve se prolongue pelos próximos dias. No entanto, enquanto um acordo definitivo não é selado, a Semob orienta que a população acompanhe as atualizações pelos canais oficiais e procure, sempre que possível, utilizar meios alternativos. A gestão municipal reiterou que não medirá esforços para restabelecer a normalidade do sistema e assegurar que as decisões judiciais sejam devidamente acatadas, priorizando o bem-estar coletivo sobre os interesses de classe.






