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Preço baixo do alho importado pressiona produtores brasileiros e gera crise no setor

Concorrência com mercadoria da China e Argentina gera prejuízos e agricultores do Sul cogitam descartar toneladas da safra.

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Redação Automática
8 de maio de 2026 às 07:002 min
Preço baixo do alho importado pressiona produtores brasileiros e gera crise no setor
Foto: Reprodução
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A entrada de alho estrangeiro com preços abaixo do custo de produção nacional ameaça a sustentabilidade dos agricultores brasileiros, que já cogitam o descarte de safras inteiras.

O setor de alho no Brasil enfrenta um cenário crítico devido à forte concorrência com o produto estrangeiro, que chega ao mercado com preços inferiores ao custo de cultivo nacional. A situação é tão grave que agricultores em regiões como o Rio Grande do Sul avaliam o descarte de toneladas de bulbos por falta de compradores, uma vez que o valor oferecido não compensa sequer os gastos básicos da lavoura. Estima-se que, em estados do Sul, o prejuízo por quilo comercializado possa atingir a margem de R$ 5,00, desestimulando a continuidade da atividade agrícola.

Atualmente, a produção doméstica supre menos de 60% do consumo anual do país, que é de aproximadamente 320 mil toneladas. O restante da demanda é obrigatoriamente coberto por importações, provenientes em grande parte da Argentina e da China. Apesar da existência de tarifas antidumping e acordos de preço mínimo com exportadores chineses, o produto asiático entra no Brasil custando cerca de R$ 10,00 o quilo, enquanto o custo médio de produção local gira em torno de R$ 13,00, criando um desequilíbrio financeiro para os produtores das regiões Centro-Oeste e Sul.

Representantes de entidades do setor, como a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) e a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), apontam para práticas de comércio desleal. Segundo especialistas, o alho chinês é beneficiado por subsídios governamentais em sua origem, abrangendo desde a infraestrutura produtiva até a armazenagem. Diante desse cenário, a Anapa afirma ter formalizado dezenas de denúncias aos órgãos federais buscando maior proteção comercial, mas o setor ainda aguarda medidas efetivas do governo para conter as perdas no campo.

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