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Única dose de psilocibina promove mudanças cerebrais e bem-estar por um mês, aponta estudo

Pesquisa do Imperial College London mostra que substância amplia flexibilidade cognitiva e altera fibras cerebrais por 30 dias.

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Redação Automática
8 de maio de 2026 às 09:002 min
Única dose de psilocibina promove mudanças cerebrais e bem-estar por um mês, aponta estudo
Foto: Reprodução
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Estudo do Imperial College London demonstra que a psilocibina amplia a flexibilidade cognitiva e modifica conexões neurais por semanas. Resultados sugerem potencial para tratamentos de saúde mental sem uso diário de medicamentos.

Uma pesquisa publicada na revista Nature Communications revela que o consumo de uma dose única de psilocibina, o princípio ativo dos cogumelos alucinógenos, pode provocar transformações na estrutura e no funcionamento cerebral por pelo menos 30 dias. O estudo, realizado pelo Imperial College London com 28 adultos que nunca haviam utilizado psicodélicos, observou que a substância promove um aumento na variabilidade da atividade cerebral, o que resultou em maior flexibilidade cognitiva e sensação de bem-estar nos voluntários.

Para chegar a esses resultados, os cientistas utilizaram exames de ressonância magnética e eletroencefalograma para monitorar os participantes após a ingestão de doses variadas. Enquanto uma dose baixa de 1 mg não produziu efeitos notáveis, a administração de 25 mg foi descrita pela quase totalidade do grupo como uma das experiências de consciência mais intensas de suas vidas. Análises de imagem identificaram mudanças físicas nas fibras nervosas que conectam o córtex pré-frontal a regiões responsáveis pelo controle emocional e tomada de decisão.

Apesar do entusiasmo com a descoberta de indícios de neuroplasticidade, os especialistas recomendam prudência. O estudo apresenta limitações, como o tamanho reduzido da amostra, a homogeneidade demográfica dos participantes e o fato de ter sido realizado com indivíduos saudáveis, o que impede a aplicação imediata dos dados no tratamento de patologias mentais. Além disso, as alterações na substância branca do cérebro ainda precisam de mais investigações para que sua causa biológica exata seja compreendida.

A importância do achado reside na potencial explicação para os efeitos terapêuticos de longo prazo da psilocibina, especialmente no combate à depressão, sem a necessidade de doses diárias. Segundo os pesquisadores, a substância parece "desbloquear" padrões de pensamento rígidos, permitindo novas formas de processamento emocional. O desafio agora é realizar testes mais amplos e diversificados para validar essas evidências e transformá-las em protocolos clínicos seguros e regulamentados.

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