Polícia da PB investiga fraude em alvarás de soltura para líderes de facções criminosas
Esquema visava liberar chefes de facções criminosas com documentos fraudulentos que simulavam assinaturas de magistrados.

A Polícia Civil da Paraíba investiga o uso de alvarás falsos em tentativa de soltura de sete líderes de facções criminosas em presídios de segurança máxima. O esquema utilizou documentos sofisticados, possivelmente gerados com auxílio de inteligência artificial.
A Polícia Civil da Paraíba deu início a uma investigação para desarticular um esquema de soltura irregular de detentos em unidades de segurança máxima de João Pessoa. O inquérito busca identificar os responsáveis pela falsificação de alvarás de soltura que visavam liberar sete líderes de organizações criminosas custodiados nas penitenciárias PB1 e PB2. A manobra foi descoberta antes que qualquer um dos sentenciados deixasse o sistema prisional.
As fraudes foram detectadas durante processos de inspeção interna, quando a administração penitenciária notou inconsistências nos documentos. Ao consultar os magistrados cujas assinaturas constavam nos papéis, foi confirmado que as ordens de liberação eram fraudulentas. Segundo as apurações preliminares, os documentos falsos teriam sido inseridos no sistema por meio do Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sugerindo o uso indevido de acessos oficiais ou sofisticação tecnológica avançada.
Entre os beneficiários da tentativa de fraude estão criminosos de alta periculosidade, incluindo lideranças do Comando Vermelho, Nova Okaida e Bonde do Cangaço, com penas que superam os 30 anos de reclusão. O Secretário de Administração Penitenciária revelou que, desde o final do ano passado, o estado já barrou 13 tentativas semelhantes. Há suspeitas de que ferramentas de inteligência artificial estejam sendo empregadas para conferir verossimilhança aos documentos falsificados.
O caso agora está sob a responsabilidade da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que investigará tanto a conduta dos presos envolvidos quanto a origem da falsificação. Além do inquérito policial, a Secretaria de Administração Penitenciária instaurou procedimentos disciplinares internos. O Tribunal de Justiça da Paraíba reiterou que os mecanismos de segurança foram eficazes em impedir as solturas e que as autoridades de segurança pública foram acionadas para um rigoroso acompanhamento do caso.






