Notícias

Pílula inovadora contra câncer de pâncreas dobra sobrevida e gera aplausos em congresso mundial

Apresentado no maior congresso de oncologia do mundo, o daraxonrasib reduziu em 60% o risco de morte e superou barreira histórica no tratamento de tumores pancreáticos.

Por
Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 08:003 min
Pílula inovadora contra câncer de pâncreas dobra sobrevida e gera aplausos em congresso mundial
Foto: Reprodução
Compartilhar

Resultados da fase 3 do estudo RASolute 302 mostram que o medicamento daraxonrasib dobrou a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático, superando a barreira da mutação RAS. A novidade foi o grande destaque do congresso da ASCO, em Chicago.

Em um cenário onde a ciência médica frequentemente avança por pequenos passos graduais, a apresentação dos resultados do estudo RASolute 302 durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, marcou o que muitos especialistas chamam de mudança de paradigma. O protagonista dessa transformação é o daraxonrasib, um comprimido de uso diário desenvolvido pela farmacêutica Revolution Medicines, que demonstrou ser capaz de dobrar a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático. O anúncio foi recebido com uma raríssima ovação de pé por parte da comunidade científica presente, simbolizando o reconhecimento de um avanço contra uma das doenças mais letais e resistentes conhecidas pela medicina moderna.

O câncer de pâncreas é historicamente classificado como um dos maiores desafios da oncologia. Por ser uma doença silenciosa em seus estágios iniciais, a maioria dos diagnósticos ocorre quando o tumor já se espalhou para outros órgãos (metástase), tornando a cirurgia impossível. Até então, as opções para quem não respondia mais à quimioterapia convencional eram extremamente limitadas e pouco eficazes. O grande obstáculo reside na mutação da proteína RAS, presente em mais de 90% dos casos. Esta proteína funciona como um interruptor biológico que, ao sofrer mutação, permanece "ligado" permanentemente, ordenando que as células cancerígenas se multipliquem de forma desenfreada. Por décadas, a proteína RAS foi considerada "não tratável" (undruggable) devido à sua estrutura física lisa, que impedia a ancoragem de medicamentos.

Os dados apresentados na fase 3 do ensaio clínico em Chicago mudaram essa percepção de forma definitiva. O estudo envolveu 500 pacientes divididos de forma aleatória entre o uso do novo comprimido e o tratamento padrão com quimioterapia. No grupo que possuía a mutação RAS G12 — a mais frequente —, a sobrevida mediana saltou de 6,6 meses para 13,2 meses. Além disso, o risco de morte entre os participantes foi reduzido em expressivos 60%. Outro ponto que gerou entusiasmo na assistência média foi a baixa toxicidade do daraxonrasib. Enquanto 11,2% dos pacientes submetidos à quimioterapia precisaram interromper o tratamento por conta de efeitos colaterais severos, apenas 1,2% daqueles que utilizaram a nova pílula enfrentaram o mesmo problema, indicando uma melhora significativa na qualidade de vida durante o tratamento.

Para o cenário brasileiro, a notícia traz esperança, mas também desafios logísticos e econômicos significativos. Atualmente, o Brasil registra cerca de 13 mil novos casos anuais da doença, com uma taxa de mortalidade que beira os 12 mil óbitos por ano. A introdução de uma terapia oral tão eficaz poderia transformar o manejo dessa patologia no país. No entanto, o caminho regulatório envolve a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a posterior análise de custos para incorporação tanto nos planos de saúde (pela ANS) quanto no Sistema Único de Saúde (SUS). O alto custo das novas drogas oncológicas no mercado internacional é hoje o principal entrave para que inovações como esta cheguem rapidamente à população de forma ampla.

Com a publicação dos resultados no Journal of Clinical Oncology, o daraxonrasib agora aguarda a chancela final de agências reguladoras como o FDA nos Estados Unidos, onde já possui status de terapia inovadora para análise acelerada. Se aprovado, o medicamento deve se tornar o novo padrão global de tratamento para pacientes em segunda linha, ou seja, aqueles que já enfrentaram o estágio inicial da terapia sem sucesso. A comunidade médica global agora volta seus olhos para o acesso compassivo e para a possibilidade de combinar este novo agente com outras terapias, visando expandir ainda mais o tempo e a qualidade de vida de pacientes que, até pouco tempo atrás, tinham diagnósticos cercados de poucas possibilidades.

#câncer de pâncreas#daraxonrasib#oncologia#sobrevida#ASCO 2026#tratamento câncer#medicina#biotecnologia

Leia também