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Anestesistas do Hospital Metropolitano iniciam paralisação na Grande João Pessoa

Impasse sobre pagamentos atrasados afeta cirurgias eletivas em unidade de referência na Paraíba; gestão contesta a categoria.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 10:003 min
Anestesistas do Hospital Metropolitano iniciam paralisação na Grande João Pessoa
Foto: Reprodução
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Dez anestesistas do Hospital Metropolitano interromperam cirurgias eletivas em Santa Rita citando atrasos salariais desde fevereiro. Gestão nega irregularidades e afirma que pagamentos estão em dia.

Uma crise administrativa atinge o setor de saúde pública na Região Metropolitana de João Pessoa, especificamente na cidade de Santa Rita. Desde a última sexta-feira (29), dez médicos anestesistas vinculados ao Hospital Metropolitano decidiram suspender suas atividades laboratoriais e cirúrgicas. O movimento, que ganha força no início desta semana, tem como principal motivação o atraso nos repasses financeiros referentes ao mês de fevereiro deste ano. Embora o movimento pareça localizado, ele gera um impacto imediato no cronograma de procedimentos agendados, evidenciando as tensões entre profissionais de saúde e as fundações gestoras do estado.

O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires é uma das unidades de referência mais importantes da Paraíba, especializado em cardiologia e neurologia. Por ser um centro de alta complexidade, a atuação dos anestesistas é vital para a fluidez das salas de cirurgia. Com a paralisação deste grupo de dez profissionais, as cirurgias eletivas — aquelas que não são de caráter imediato, mas fundamentais para a qualidade de vida do paciente — acabam sendo adiadas por tempo indeterminado. Esse tipo de interrupção sobrecarrega a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS), que já enfrenta desafios históricos de vazão na demanda reprimida por procedimentos especializados no estado.

A Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), entidade responsável pela gerência da unidade, apresentou uma versão divergente da relatada pelos médicos. Segundo a administração, o serviço de anestesia não foi totalmente interrompido e continua operando dentro das normalidades previstas para o contrato. A PB Saúde alega que houve o recebimento das notas fiscais e que os pagamentos pendentes já foram processados. A fundação explica que qualquer demora residual deve-se ao rigoroso trâmite burocrático e administrativo da máquina pública, que exige uma série de conferências documentais antes da liquidação final dos valores, mas assegura que o fluxo financeiro está estabelecido.

Em nota oficial enviada à imprensa, o Hospital Metropolitano reforçou a posição da gestora, classificando as queixas de atraso como "equivocadas". A direção da unidade enfatizou que o diálogo com o corpo clínico é mantido de forma constante para evitar prejuízos à população. Enquanto o impasse sobre as "notas fiscais pendentes" e o "fluxo de pagamento" persiste nas notas oficiais, os profissionais reafirmam que a paralisação é um último recurso frente à falta de previsibilidade salarial. No entanto, há um ponto de consenso: os atendimentos nos setores de urgência e emergência não sofreram cortes, garantindo que casos de risco de vida continuem sendo assistidos sem interrupções críticas.

Para o leitor brasileiro e, especialmente, para o cidadão paraibano, o cenário acende um alerta sobre a estabilidade dos modelos de gestão por fundações públicas de direito privado no SUS. A eficácia desse modelo depende exclusivamente da agilidade nos repasses entre a Secretaria de Estado da Saúde e as fundações. Se o impasse administrativo não for resolvido com celeridade nas próximas horas, o acúmulo de cirurgias canceladas poderá gerar um efeito cascata em outras unidades de saúde da Grande João Pessoa, que passariam a receber a demanda que o Hospital Metropolitano não conseguir suprir. Espera-se que uma nova rodada de negociações entre o sindicato da categoria e a PB Saúde solucione a pendência financeira para a normalização total do serviço.

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