PF investiga supostas irregularidades em aplicações do Instituto de Previdência de Maceió no Banco Master
Ação autorizada pelo STF apura suspeitas de irregularidades em investimentos milionários feitos pelo instituto municipal; ex-presidente é um dos alvos.

A Polícia Federal deflagrou operação para apurar supostas irregularidades em investimentos do Instituto de Previdência de Maceió no Banco Master. Foram cumpridos mandados em Alagoas e São Paulo.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (10), uma operação de grande porte com o objetivo de investigar possíveis crimes financeiros e irregularidades administrativas envolvendo o Instituto de Previdência de Maceió (Iprev). O foco central da ofensiva policial são aplicações milionárias de recursos públicos destinados às aposentadorias de servidores municipais em fundos vinculados ao Banco Master. A ação busca esclarecer se houve desvio de finalidade, favorecimento ilícito ou má gestão dos ativos que compõem o fundo previdenciário da capital alagoana.
As equipes de agentes federais iniciaram as diligências nas primeiras horas do dia, concentrando esforços na sede do Iprev, em Maceió. Durante a incursão, foram apreendidos computadores, mídias digitais e uma vasta documentação relacionada às movimentações financeiras do instituto nos últimos anos. Devido ao cumprimento dos mandados judiciais, o atendimento ao público no local foi totalmente interrompido, pegando de surpresa dezenas de aposentados e pensionistas que buscavam serviços presenciais na unidade. A operação não se restringiu a Alagoas; ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, abrangendo também endereços no estado de São Paulo.
O caso ganhou relevância jurídica nacional e está sendo acompanhado de perto pela Suprema Corte. A autorização para a deflagração da operação partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator do processo envolvendo as transações com o Banco Master. Entre os principais alvos das buscas está Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do instituto. Os investigadores trabalham com a hipótese de que as escolhas de investimento feitas durante sua gestão possam ter ferido normas de segurança financeira, colocando em risco a saúde atuarial do fundo municipal.
As suspeitas levantadas pela PF e por órgãos de controle indicam que o montante investido no Banco Master pode ter sido direcionado sob critérios pouco transparentes. No âmbito da investigação, analisa-se se houve pagamento de vantagens indevidas para que o Iprev optasse por produtos financeiros específicos, em detrimento de opções mais seguras ou rentáveis disponíveis no mercado. A auditoria dos contratos e das atas de decisão do conselho administrativo do instituto será fundamental para determinar o grau de responsabilidade dos envolvidos e se houve prejuízo direto ao erário público de Maceió.
O desdobramento desta operação coloca pressão sobre a administração municipal e sobre as instituições de fiscalização financeira do país. Especialistas apontam que a segurança dos regimes próprios de previdência social é um tema sensível, dado que qualquer inconsistência nos investimentos pode comprometer o pagamento futuro de milhares de beneficiários. A Polícia Federal informou que o material coletado passará por perícia técnica minuciosa. Os próximos passos do inquérito incluem a análise das quebras de sigilo bancário e fiscal, além do depoimento formal dos citados no processo. Até o fechamento desta reportagem, a defesa dos envolvidos e o Banco Master não haviam se manifestado publicamente sobre o teor das acusações.

