Operação contra lavagem de dinheiro do PCC prende Deolane Bezerra e mira cúpula da facção
Ação conjunta do MP e Polícia Civil revela esquema que utilizava empresas de fachada e contas de terceiros para ocultar recursos do crime organizado.

Investigação que resultou na prisão de Deolane Bezerra e da cúpula do PCC revela esquema de lavagem de dinheiro por meio de transportadora e depósitos fracionados. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões da influenciadora.
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira (21), a Operação Vérnix, resultando na prisão da influenciadora digital Deolane Bezerra e de lideranças do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e seus familiares. A ação é o desfecho de uma frente investigativa iniciada há sete anos, que identificou uma sofisticada estrutura voltada para a ocultação de recursos oriundos de atividades criminosas da facção.
O inquérito ganhou corpo a partir de 2019, após a apreensão de bilhetes de detentos que mencionavam planos de atentados e a utilização de uma transportadora em Presidente Venceslau como fachada. O rastreamento revelou que a empresa movimentava quantias milionárias incompatíveis com sua operação legal, servindo como duto financeiro para os líderes do grupo. A quebra de sigilo de um operador logístico revelou que Deolane Bezerra possuía conexões diretas com gestores desse esquema, atuando supostamente na etapa de lavagem de capitais.
De acordo com os relatórios financeiros, a influenciadora teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados de baixo valor, técnica utilizada para evadir a fiscalização bancária. Além disso, empresas em seu nome teriam sido beneficiadas por repasses de centenas de milhares de reais sem comprovação de prestação de serviços jurídicos que justificassem as transações. A Justiça ordenou o bloqueio de R$ 27 milhões das contas de Deolane, quantia considerada de origem não comprovada pelos investigadores.
A investigação detalha que a projeção mediática e o estilo de vida ostentado pela advogada serviam como uma camada de legalidade para os ativos da organização criminosa. Esta é a segunda prisão de Deolane Bezerra em menos de um ano; em setembro de 2024, ela já havia sido alvo de uma operação em Pernambuco ligada a jogos ilegais. Atualmente, os investigadores apontam que os recursos lavados chegavam diretamente ao núcleo familiar da cúpula do PCC por meio de intermediários.





