Não deveria, mas sentimos a necessidade de nos provar todos os dias.
Não deveria, mas sentimos a necessidade de nos provar todos os dias.

Não deveria, mas sentimos a necessidade de nos provar todos os dias. Não deveria, mas precisamos encontrar força diariamente, como se a vida fosse uma arena onde somos constantemente testados. Não deveria, mas somos chamados a ser altruístas, resilientes, resistentes… e, ainda assim, carregamos dores. Algumas já resolvidas, outras que insistem em nos visitar, lembrando que nem sempre conseguimos fechar todas as feridas.
Vivemos em meio a um mundo que exige presença, explicações, justificativas. Precisamos lidar com o exterior, com uma variedade de pessoas: algumas que passam rápido, como vento; outras que compartilham apenas ideias; e algumas raras que ficam para compartilhar a vida. Mas chegar a esse nível de entrega é, em si, uma batalha. Nem todas as pessoas que nos cercam contribuem positivamente. Há lacunas não preenchidas, áreas não exploradas, espaços dentro de nós que ainda precisam ser cultivados com paciência e cuidado.
Essa constante pressão para nos apresentarmos como altamente resolvidos, como “perfeitos”, fere nossa alma e desgasta nosso espírito. A expectativa de dar explicações sobre nossas escolhas, nossos caminhos, nossas dores, é cansativa. É exaustiva. É como se estivéssemos sempre sob julgamento, sempre sob a luz de holofotes que não pedimos. E, pouco a pouco, isso consome nossa essência.
Não deveria ser assim. A vida seria mais saudável se nos importássemos mais conosco, se nos observássemos com carinho, se nos amássemos com a mesma intensidade que tentamos amar os outros. Não deveria ser tão difícil ter conversas autênticas, mas é — porque tememos as múltiplas interpretações, os julgamentos que vêm junto com cada palavra.
Como seria bom se a vida fosse simplesmente vivida, sem a necessidade de tatear no escuro em busca da luz. Se fosse clara como o sol, transparente como a água. Como seria libertador ser apenas nós mesmos, sem máscaras, sem explicações, sem medo. Apenas isso: existir com verdade.
E talvez seja esse o maior desafio da maturidade: aprender a se despir das expectativas externas e se vestir de autenticidade. Reconhecer que não precisamos ser perfeitos, mas precisamos ser inteiros. Que não precisamos agradar a todos, mas precisamos nos agradar o suficiente para viver em paz.
No fim, o que realmente importa é a coragem de ser quem somos — mesmo quando o mundo insiste em nos pedir versões editadas. Ser apenas nós mesmos. Só isso.
Antonio Marcos de Souza
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