Economia

Mulheres negras recebem metade da remuneração de homens brancos no Brasil, revela estudo

Levantamento do Índice de Justiça Econômica Racial revela que abismo financeiro entre grupos sociais pouco mudou desde 2016.

Por
Redação 360 Notícia
14 de maio de 2026 às 22:002 min
Mulheres negras recebem metade da remuneração de homens brancos no Brasil, revela estudo
Foto: Reprodução
Compartilhar

Novo levantamento revela que mulheres negras ganham apenas 50% da renda de homens brancos, evidenciando uma pirâmide social estagnada no Brasil.

O cenário de desigualdade financeira no Brasil apresenta uma estrutura rígida que coloca mulheres negras em uma posição de vulnerabilidade persistente. De acordo com o inédito Índice de Justiça Econômica Racial (IJER), divulgado nesta quinta-feira (14), esse grupo populacional sobrevive com apenas metade dos rendimentos médios registrados por homens brancos. Em 2023, enquanto um homem branco recebia cerca de R$ 2.381,43 em renda domiciliar per capita, a mulher negra dispunha de apenas R$ 1.191,66, repetindo um abismo proporcional que já vinha sendo observado desde 2016.

A pesquisa, desenvolvida pela Fundação Grupo Volkswagen em cooperação com o Fundo Agbara, revela que, embora a economia brasileira tenha apresentado melhoras gerais nos últimos anos, o chamado "elevador social" permanece inoperante. O levantamento hierarquiza a sociedade brasileira em uma pirâmide onde homens brancos ocupam o topo, seguidos por mulheres brancas e homens negros. Na base, as mulheres negras enfrentam os piores indicadores não apenas em ganhos financeiros, mas também em acesso a empregos formais, saneamento básico e conclusão do ensino superior.

Especialistas apontam que essa disparidade é alimentada por barreiras estruturais, como a concentração de mulheres negras em trabalhos informais ou de cuidados, que oferecem baixa remuneração e pouca estabilidade. O estudo destaca que o acesso à universidade ainda é um privilégio distante para muitos, frequentemente interrompido pela necessidade de ingressar precocemente no mercado de trabalho. Para reverter esse quadro, o relatório sugere que políticas públicas universais são insuficientes, defendendo ações específicas voltadas para o recorte de raça e gênero como forma de assegurar justiça econômica real.

#desigualdade racial#economia#mulheres negras#renda#IJER

Leia também