Economia

Mulheres do Espírito Santo transformam criação de abelhas em negócios de sucesso

De enfermeiras a desenvolvedoras de sistemas, mulheres capixabas diversificam a renda com produtos derivados de colmeias e fortalecem o agronegócio no estado.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 08:003 min
Mulheres do Espírito Santo transformam criação de abelhas em negócios de sucesso
Foto: Reprodução
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Empreendedoras capixabas de diversas áreas, como advocacia e TI, estão abandonando carreiras tradicionais para focar na apicultura e meliponicultura. Com foco em sustentabilidade e agregação de valor através de cosméticos e polinização, elas transformam o cenário rural do ES.

Uma tendência crescente vem transformando o cenário econômico e rural do Espírito Santo: o protagonismo feminino na apicultura e na meliponicultura. O que antes era encarado por muitas mulheres como um simples hobby ou passatempo em contato com a natureza, rapidamente se converteu em um modelo de negócio robusto e diversificado. De profissionais do direito e da saúde a especialistas em tecnologia da informação, o estado testemunha uma migração de talentos para o setor das abelhas, onde a produção de mel é apenas a ponta de um iceberg que inclui cosméticos naturais, velas artesanais e serviços de educação ambiental.

O caso da técnica de enfermagem Kátia dos Santos, hoje conhecida como "Kátia Abelha", ilustra a resiliência necessária para prosperar no setor. Mesmo após enfrentar um grave choque anafilático decorrente de uma picada — quadro que exigiu dois anos de tratamento intensivo de imunoterapia com o próprio veneno do inseto —, ela não abandonou a atividade. Pelo contrário, sua persistência a levou de aluna a instrutora. Atualmente, sediada em São Domingos do Norte, no Noroeste capixaba, Kátia capacita novos produtores e desenvolve linhas de beleza baseadas em própolis e geoprópolis. Sua história é um divisor de águas que demonstra como o conhecimento técnico e a paixão podem superar até barreiras biológicas, consolidando o empreendedorismo rural como uma alternativa viável à carreira pública ou hospitalar.

A transição de carreira para o mundo das abelhas também atinge o setor de tecnologia. Luana Pimentel, analista e desenvolvedora de sistemas em Aracruz, buscou na meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão) uma forma de descompressão do estresse corporativo. O movimento, no entanto, evoluiu para uma especialização acadêmica em Gestão do Agronegócio e a criação de produtos que agregam valor ao insumo básico. Ao produzir sabonetes, bebidas artesanais e velas de cera de abelha, Luana atende a uma demanda de mercado que valoriza a procedência e a sustentabilidade. Para ela, o diferencial competitivo reside na transparência da cadeia produtiva, uma vez que o consumidor moderno busca produtos que conciliem conservação ambiental com alta qualidade artesanal.

Além dos produtos diretos da colmeia, a atividade gera um impacto transversal na agricultura capixaba. A polinização, serviço ecossistêmico fundamental realizado pelas abelhas, é um aliado estratégico para cafeicultores, especialmente na produção de café conilon. Segundo especialistas da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), a presença de apiários nas lavouras não só aumenta a produtividade, mas também garante uma maturação mais uniforme dos frutos. Esse benefício mútuo entre a criação de insetos e a produção de café estimula a diversificação da renda nas propriedades rurais, permitindo que as famílias resistam melhor às oscilações de preço das commodities agrícolas ao possuírem uma segunda fonte de receita estável e sustentável.

O futuro da atividade no Espírito Santo parece estar ancorado na profissionalização e no apoio institucional de órgãos como o Sebrae. O sucesso de empreendedoras como a fisioterapeuta Giovana Branco — que conquistou o terceiro lugar nacional em um concurso de mel após estruturar sua empresa com consultorias técnicas — prova que o setor é maduro. O que se espera para os próximos anos é a ampliação de agroindústrias familiares devidamente certificadas, capazes de exportar o "ouro capixaba" para outros estados e até para o mercado internacional. Através da união entre saberes tradicionais e gestão empresarial, as mulheres do Espírito Santo estão provando que, no mundo dos negócios, tamanho não é documento e que pequenos insetos podem, sim, gerar transformações gigantescas na vida de quem se dedica a compreendê-los.

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