MPF investiga suposto monitoramento de opositores à privatização da Copasa
Ministério Público apura se estatal monitorou dados pessoais e posicionamentos de parlamentares contrários à desestatização.

O Ministério Público Federal investiga se a Copasa utilizou uma consultoria milionária para monitorar ilegalmente a vida privada e posições políticas de opositores à sua privatização.
O Ministério Público Federal (MPF) deu início a um inquérito civil para examinar a legalidade da contratação de uma empresa de consultoria pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A investigação foca em indícios de monitoramento indevido de parlamentares, gestores públicos e movimentos sociais envolvidos nas discussões sobre a desestatização da companhia mineira. O processo foi motivado por denúncias que sugerem o uso de recursos públicos para coletar dados detalhados e pessoais de opositores e influenciadores no debate da privatização.
Documentos entregues aos procuradores indicam que a consultoria, contratada por cerca de R$ 6,8 milhões, teria elaborado perfis que incluíam não apenas o posicionamento político e votos de deputados, mas também informações sobre a vida privada dos alvos. Estima-se que o banco de dados envolva mais de mil indivíduos, o que levanta suspeitas sobre o descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o desrespeito a direitos fundamentais, como a privacidade e a intimidade.
Em sua defesa preliminar nos registros da investigação, a Copasa alegou que suas ações de governança e contratações respeitam rigorosamente as normas éticas e os controles de conformidade. A estatal defende que as análises técnicas produzidas buscam o aprimoramento estratégico e a universalização do saneamento. O MPF, por sua vez, solicitou novos documentos para avaliar se houve abuso de poder ou finalidade na utilização desses relatórios para criar narrativas favoráveis à venda da empresa no Legislativo.






