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Morte por suspeita de intoxicação por peixe alerta para surto de ciguatera no RN

Idosa morre em Natal após suspeita de intoxicação por ciguatoxina; surtos da doença dobraram no estado em 2026.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 05:003 min
Morte por suspeita de intoxicação por peixe alerta para surto de ciguatera no RN
Foto: Reprodução
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A morte de uma idosa de 84 anos em Natal, após o consumo de um peixe tipo bicuda, acende o alerta para o avanço da ciguatera no Rio Grande do Norte. O número de surtos da intoxicação dobrou em 2026, desafiando autoridades de saúde e vigilância sanitária.

Uma tragédia familiar ocorrida na capital potiguar colocou as autoridades de saúde do Rio Grande do Norte em alerta máximo. A morte de Maria das Dores do Nascimento Batista, de 84 anos, carinhosamente conhecida como Dona Dorinha, levantou sérias suspeitas sobre a segurança do consumo de certos tipos de pescados na região. A idosa faleceu na última segunda-feira, após passar quase trinta dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A principal linha de investigação médica e sanitária aponta para uma intoxicação por ciguatera, uma condição causada pela ingestão de toxinas presentes em peixes de recife, que tem registrado um aumento preocupante de casos no estado no último ano.

O incidente que levou ao óbito começou durante um almoço em família no dia 26 de abril. Dona Dorinha, que residia no município de Alto do Rodrigues, estava em Natal visitando parentes. Na ocasião, ela e uma prima de 74 anos consumiram um peixe do tipo bicuda (também conhecido como barracuda), adquirido em uma feira livre no bairro das Quintas, na Zona Oeste de Natal. Poucas horas após a refeição, ambas começaram a apresentar os primeiros sinais de mal-estar severo, incluindo episódios intensos de vômitos e dores abdominais. Enquanto a prima conseguiu se recuperar após dois dias de internação, o quadro de Dona Dorinha evoluiu com gravidade, levando-a a um estado de coma e, eventualmente, à morte. A Vigilância Sanitária conseguiu recolher partes do peixe que ainda estavam congeladas na residência para realizar análises laboratoriais minuciosas.

O fenômeno da ciguatera é complexo e silencioso. Ele ocorre quando peixes de grande porte acumulam ciguatoxinas em seus tecidos. Essas toxinas são produzidas por microalgas que vivem em recifes de corais e são ingeridas por peixes menores, que por sua vez servem de alimento para predadores maiores, como a bicuda, o dourado e a arabaiana. No organismo humano, a toxina ataca os sistemas gastrointestinal e neurológico. Um dos aspectos mais perigosos dessa substância é que ela é termoestável, ou seja, não é eliminada pelo calor do cozimento, pelo congelamento ou por processos de salga. Além disso, o peixe contaminado não apresenta alteração de cor, cheiro ou sabor, tornando impossível para o consumidor identificar o risco antes da ingestão.

O cenário no Rio Grande do Norte em 2026 é alarmante. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), o número de surtos da doença dobrou nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com todo o ano anterior. Até o momento, foram registrados 27 surtos no estado, com pelo menos 20 casos confirmados laboratorialmente. As autoridades explicam que um surto é caracterizado quando duas ou mais pessoas apresentam sintomas após compartilharem a mesma fonte de alimento. Outros casos recentes, envolvendo famílias inteiras e até casais em restaurantes, reforçam a tese de que a contaminação pode estar se tornando mais frequente na cadeia de pesca local, exigindo uma investigação profunda sobre a origem dos pescados e as áreas de captura.

Diante da gravidade da situação, especialistas e gestores de saúde recomendam cautela redobrada. Como não existe um antídoto específico para a ciguatera — sendo o tratamento focado apenas no alívio dos sintomas —, a prevenção e o diagnóstico rápido são essenciais. A Sesap orienta que, ao surgirem sinais como fraqueza muscular, visão turva, gosto metálico na boca ou coceira intensa após o consumo de peixe, o paciente deve procurar unidades de saúde imediatamente e informar o histórico alimentar. Além disso, é fundamental identificar a espécie consumida e, se possível, guardar amostras para análise. O resultado dos exames laboratoriais do caso de Dona Dorinha deve levar cerca de 60 dias para ser concluído, período em que o monitoramento sanitário nas feiras e mercados de Natal será intensificado para evitar novas vítimas.

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