Morte de turistas em Fortaleza: polícia prende mandante e investiga ligação de políticos em crime
Operação da Polícia Civil do Ceará prende suposto mandante em São Paulo e cumpre mandados contra vereador e ex-deputado de Pernambuco.

A investigação sobre o assassinato de dois turistas na Praia do Futuro, em Fortaleza, resultou na prisão do suposto mandante em São Paulo e no cumprimento de mandados contra políticos de Pernambuco. O caso envolve o mercado de apostas online e rinhas de galos em nível interestadual.
A Polícia Civil do Estado do Ceará deu um passo decisivo na elucidação de um crime violento que chocou a capital cearense em abril de 2025. Uma operação coordenada, que se estendeu por diversos estados brasileiros, resultou na prisão de Dinailton Tavares Pereira, de 36 anos, apontado pelas investigações como o mandante do assassinato de dois turistas na Praia do Futuro, em Fortaleza. A captura ocorreu em um hotel nas proximidades do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, evidenciando a complexidade de uma rede criminosa que atravessava as divisas estaduais e envolvia figuras de destaque no cenário político e empresarial de Pernambuco.
As vítimas do duplo homicídio, ocorrido no primeiro dia de abril de 2025, foram identificadas como o carioca Renato Faria de Azeredo, de 34 anos, e o gaúcho André Luís Guellen, de 43 anos, conhecido pelo apelido de "Foguinho". Ambos foram executados a tiros enquanto estavam dentro de uma caminhonete, logo após deixarem uma barraca de praia na orla de Fortaleza. O crime inicialmente gerou mistério, mas as investigações logo apontaram para um cenário de criminalidade organizada. Renato e André possuíam antecedentes criminais e estavam profundamente envolvidos no mercado de apostas online, as populares "bets", além de atuarem na criação e promoção de rinhas de galo, uma atividade ilegal no Brasil.
O desenrolar das investigações revelou uma trama premeditada. De acordo com o Ministério Público, os executores do crime saíram de Pernambuco com destino ao Ceará exclusivamente para realizar o atentado. Gabriel Carlos do Nascimento Silva e Júlio César do Nascimento foram presos ainda em abril de 2025 na cidade de Petrolândia (PE), sendo apontados como os braços operacionais da execução. Um terceiro envolvido, Ítalo Rafael Silva Santos, foi detido em Sergipe enquanto tentava empreender fuga. Um quarto suspeito, Pablo Lucas Simões Soares, permanece foragido, mantendo as autoridades em alerta máximo para sua localização.
A operação mais recente, realizada em maio de 2026, trouxe à tona nomes inesperados. Além da prisão do suposto mandante em São Paulo, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra Getúlio Belém (PL), presidente da Câmara de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes (PE), e Clóvis Paiva, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ribeirão (PE). Embora a participação direta deles no homicídio ainda não esteja comprovada, a Polícia Civil afirma que ambos possuem ligações estreitas com os suspeitos de envolvimento no crime. Durante a ação, Clóvis Paiva foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, após os agentes encontrarem em sua residência um armamento com calibre alterado.
Outro detalhe intrigante que amplia o escopo da investigação é a conexão das vítimas com Victor Gutemberg Bezerra Ramos, um cearense morto em um resort de luxo na Bahia em 2022. Renato e André eram amigos próximos de Victor e também atuavam com apostas online. A polícia agora trabalha para conectar os pontos e entender se essas mortes fazem parte de um acerto de contas maior dentro do mercado de apostas e jogos ilegais. O que se sabe é que o grupo possuía uma estrutura financeira considerável, evidenciada pela posse de joias, moedas estrangeiras e bens de alto valor no momento dos crimes, o que sugere uma disputa de poder ou dívidas no submundo das "bets".
No atual estágio, a justiça busca consolidar as provas colhidas, incluindo o celular do vereador Getúlio Belém, que foi recuperado pelos policiais após ser arremessado pela janela durante a abordagem em seu apartamento. A defesa do político nega qualquer participação no crime, enquanto o delegado responsável, Ícaro Coelho, reafirma que as investigações continuam para determinar se os políticos alvos da operação possuem outras práticas ilegais acopladas à dinâmica do duplo homicídio. O caso serve como um alerta para a interconexão de crimes interestaduais e o avanço da violência vinculada a mercados de apostas não regulamentados.






