Modelo de moradia compartilhada para idosos estreia no Rio de Janeiro neste semestre
Iniciativa em Petrópolis foca na convivência comunitária e sustentabilidade para enfrentar o aumento de idosos que vivem sozinhos no país.

Prevista para outubro em Petrópolis, a Vila Puri é o primeiro projeto de cohousing para idosos no Rio de Janeiro, combatendo o isolamento social com moradias independentes, gestão coletiva e foco em sustentabilidade.
Com o objetivo de transformar o paradigma do envelhecimento no Brasil, o estado do Rio de Janeiro se prepara para receber no segundo semestre deste ano o seu primeiro projeto estruturado de cohousing voltado à terceira idade. Batizado de Vila Puri, o empreendimento está situado no distrito de Brejal, em Petrópolis, na região serrana fluminense. Planejado para ser inaugurado até o final do ano, o modelo rompe com a ideia tradicional de isolamento ou de asilamento, propondo uma "moradia compartilhada" onde a autonomia individual e a vida comunitária caminham lado a lado. A primeira fase do projeto prevê a entrega de 11 unidades habitacionais em outubro, consolidando uma alternativa habitacional que foca no bem-estar físico e emocional de seus moradores.
A iniciativa surge como uma resposta direta às mudanças demográficas acentuadas no país. De acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas vivendo sozinhas no Brasil ultrapassou a marca de 15 milhões em 2025. O estado do Rio de Janeiro ocupa uma posição de destaque nesse cenário, liderando nacionalmente a proporção de domicílios unipessoais. Diante desse crescimento acelerado, o isolamento social na terceira idade tornou-se um desafio de saúde pública, estimulando a criação de soluções que combatam a solidão e promovam o chamado envelhecimento ativo, mantendo os idosos inseridos em uma rede de apoio mútua e constante.
Diferente de condomínios residenciais convencionais, a Vila Puri fundamenta-se na convivência e na gestão compartilhada. Enquanto cada morador possui sua residência privativa para garantir independência, o projeto oferece amplas infraestruturas comuns, como lavanderia coletiva, refeitório, academia e piscina. O diferencial, entretanto, reside no método de governança: o grupo utiliza a sociocracia, um sistema de tomada de decisões de forma horizontal onde todos os membros têm voz e as decisões são tomadas por consenso. Para garantir a harmonia do coletivo, os interessados em integrar a comunidade precisam passar por um período de adaptação e convivência prévia, assegurando que haja afinidade ideológica com os valores do grupo antes da adesão definitiva.
Além da esfera social, a sustentabilidade é um pilar central da Vila Puri. O projeto incorpora tecnologias de baixo impacto ambiental, como a instalação de sistemas de energia fotovoltaica para a geração de eletricidade e o uso de técnicas construtivas ecológicas que respeitam a biodiversidade da Serra Fluminense. Esse compromisso com o meio ambiente faz parte de um aprendizado contínuo dos moradores, que buscam um estilo de vida mais resiliente e consciente. O modelo de cohousing, já consolidado em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, ganha agora força em território brasileiro como uma ferramenta de inovação social que valoriza a trajetória de vida do idoso.
Os próximos passos do empreendimento incluem a conclusão das obras de infraestrutura e a integração dos novos membros que ocuparão as primeiras unidades em outubro. A expectativa é que o sucesso da Vila Puri sirva de laboratório para novas iniciativas do gênero em outras regiões do Rio de Janeiro e do Brasil. Ao aliar moradia digna, sustentabilidade e laços sociais sólidos, o projeto não apenas oferece um teto, mas propõe um novo sentido para a longevidade, provando que é possível envelhecer com autonomia sem abrir mão da segurança e do companheirismo oferecidos por uma comunidade vibrante e colaborativa.





