Mercado eleva estimativa de inflação para 2026 e prevê juros mais altos que o esperado
Pela décima semana consecutiva, analistas aumentam projeção para o IPCA; taxa Selic deve encerrar 2026 em patamar mais elevado.

O Boletim Focus aponta a décima alta seguida na projeção da inflação para 2026, elevando também as apostas para a taxa Selic. A pressão do petróleo no mercado externo justifica o pessimismo dos analistas.
O mercado financeiro revisou para cima as projeções inflacionárias pela décima semana consecutiva, conforme aponta o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (18). Para o ano de 2026, a expectativa dos analistas subiu de 4,91% para 4,92%, sinalizando uma pressão persistente nos preços. O movimento reflete a instabilidade do cenário externo, impulsionada pelo encarecimento do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou a marca de US$ 110 devido aos conflitos no Oriente Médio.
Diante desse cenário de inflação mais resistente, as instituições financeiras recalibraram as apostas para a trajetória da taxa básica de juros, a Selic. Embora ainda se espere um ciclo de redução, a previsão para o encerramento de 2026 foi elevada de 13% para 13,25% ao ano. A alteração sugere uma postura mais cautelosa da autoridade monetária na condução da política de juros, visando manter o IPCA dentro do teto da meta estabelecida, que permite uma variação máxima de 4,50%.
No campo da atividade econômica, o otimismo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) apresentou pouca alteração. A estimativa de crescimento para 2026 foi mantida em 1,85%, enquanto a projeção para 2027 sofreu um leve ajuste positivo, passando de 1,76% para 1,77%. Em relação ao câmbio, os especialistas consultados pelo Banco Central projetam que o dólar finalize o ano atual cotado a R$ 5,20, com uma pequena redução na estimativa para o fechamento de 2027.






