Entre Palavras

Marcos pelo próprio

Diria que tudo o que ela passou foi um teste de força e que, mesmo em sua tenra idade, ela demonstrou uma incrível resistência. Eu diria que o orgulho transborda em meu coração ao olhar para trás e ver o quão forte ela foi.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
12 de maio de 2026 às 23:372 min
Marcos pelo próprio
Foto: Reprodução
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A criança que habita em mim, o que eu diria a ela? Diria que o homem que sou hoje nasceu da sua resiliência, da sua coragem e da sua inocência. Eu a abraçaria com força e contaria todas as histórias que vivi graças à sua determinação. Mesmo com as dores e as marcas que carregou na pele, nunca fraquejou. Pelo contrário: transformou cada cicatriz em lição, aprendendo que não era preciso revidar ou vingar-se, mas sim seguir com humildade e esperança.

Elogiaria sua alegria em aproveitar o pouco de infância que restava e a adolescência ao lado de pessoas incríveis. Admiraria o seu jeito carinhoso de enxergar o mundo, mesmo quando doía, acreditando sempre que tudo iria passar, que haveria dias melhores.

Ao observar essa criança, percebo que, mesmo precoce, já tinha pensamentos maduros sobre a vida. Sonhava com o futuro e descobriu que a forma mais honrosa de alcançá-lo seria através do estudo. Foi assim que aprendeu que seria o senhor do próprio destino, e que cada escolha moldaria o homem responsável, cuidadoso e amigo que se tornaria.

Por isso, eu diria a essa criança que o adulto dela a ama profundamente. Que ela nunca esteve sozinha e que eu sempre continuarei cuidando dela. Todas as nossas conversas, todos os conselhos que trocamos, seguirão sendo a base para tornar nossos dias mais alegres e cheios de sonhos.

Eu diria também que sentirei saudades dos momentos em que ríamos das coisas mais bobas, mas que foram os sorrisos mais intensos que já sentimos. Mostraria que nunca desistir foi a nossa maior vitória, e que sigo firme por causa da força que ela me deu. Hoje, mesmo sendo adulto e sentindo muitas vezes tristeza e, em alguns momentos, desesperança, às vezes me lembro de como eu era e que não devo, em hipótese alguma, permitir que a minha criança interior permaneça assim, pois quem eu fui é mais forte e corajoso para deixar as nuvens persistirem em ficar.

No coração, essa criança sempre terá um lugar quente, arejado e luminoso — um espaço de acolhimento e pertencimento que ela merece.

Antonio Marcos de Souza

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