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Justiça decide que acusado de arrastar Tainara na Marginal Tietê vai a júri popular

Réu responderá por feminicídio e tentativa de homicídio após vítima morrer por complicações de atropelamento brutal em São Paulo.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 02:003 min
Justiça decide que acusado de arrastar Tainara na Marginal Tietê vai a júri popular
Foto: Reprodução
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A Justiça de São Paulo determinou que Douglas Alves da Silva irá a júri popular pelo feminicídio de Tainara Souza Santos. A vendedora foi atropelada e arrastada por 1 km na Marginal Tietê e morreu após quase um mês de internação. O réu seguirá preso preventivamente.

Em uma decisão de grande impacto para o cenário jurídico e social de São Paulo, a Justiça do estado determinou nesta segunda-feira (25) que Douglas Alves da Silva, de 26 anos, será submetido a júri popular. O réu é acusado de atropelar de forma intencional e arrastar por cerca de um quilômetro a vendedora Tainara Souza Santos, de 31 anos, na Marginal Tietê. O episódio, ocorrido no final de 2025, chocou o país pela violência extrema e será julgado sob a tipificação de feminicídio, além de incluir a tentativa de homicídio contra um amigo da vítima que estava presente no momento da abordagem inicial.

O caso remonta a 29 de novembro do ano passado, quando Tainara foi atingida pelo veículo conduzido por Douglas. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o crime teria sido motivado por ciúmes. O inquérito aponta que o acusado e a vítima tiveram um relacionamento breve, e que Silva não aceitava o término do envolvimento. Em depoimentos e imagens capturadas por câmeras de segurança, ficou registrado que Douglas não apenas atingiu a vendedora com o carro, mas a arrastou pelo asfalto por uma distância considerável, ignorando gritos de alertas de pedestres e outros motoristas que presenciaram a cena horripilante na zona norte da capital paulista.

Tainara Souza Santos enfrentou uma agonia que durou quase um mês. Levada em estado crítico ao Hospital das Clínicas, ela passou por múltiplas cirurgias emergenciais. Devido à gravidade das lesões causadas pelo atrito com o asfalto e pelo impacto do veículo, os médicos precisaram amputar ambas as pernas da vítima. Apesar de ter lutado pela vida em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por semanas, Tainara sofreu um quadro de septicemia e morreu na véspera de Natal, em 24 de dezembro. O laudo necroscópico detalhou que as causas da morte foram as múltiplas lesões traumáticas, desarticulação de quadril e o quadro infeccioso generalizado decorrente dos ferimentos.

Durante a audiência de instrução realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, a defesa de Douglas Alves da Silva tentou desqualificar a acusação de feminicídio, alegando que o réu não mantinha um relacionamento amoroso com a vítima e que o atropelamento teria sido "acidental" ou decorrente de uma tentativa de fuga após uma suposta briga. O advogado Marcos Leal argumentou que a decisão de levar o caso a júri seria prematura, mencionando a falta de laudos no processo. No entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo prosseguiu com a decisão fundamentada nos depoimentos de 12 testemunhas e nas evidências colhidas pela polícia, mantendo a prisão preventiva do acusado, que não poderá responder em liberdade.

A morte de Tainara, que deixou dois filhos de 12 e 7 anos, tornou-se um símbolo da luta contra a violência de gênero no Brasil. Para especialistas em segurança pública e direitos humanos, o julgamento por júri popular é um passo essencial para a reparação simbólica de um crime que reuniu elementos de crueldade e clara intenção de aniquilar a dignidade da vítima. No Brasil, o feminicídio é considerado crime hediondo, e, em caso de condenação, a pena para o réu pode variar entre 20 e 40 anos de reclusão. O próximo passo agora é a marcação da data do julgamento, onde sete cidadãos comuns decidirão o destino de Douglas perante a sociedade.

O desdobramento deste caso é acompanhado de perto por movimentos sociais que denunciam o aumento dos casos de feminicídio em espaços públicos, o que indica uma sensação de impunidade e a persistência da cultura de controle sobre a vida das mulheres. A decisão da Justiça de São Paulo reforça a tendência de rigor contra agressores em casos de grande repercussão, servindo como uma resposta institucional à demanda por proteção e justiça para as vítimas de violência doméstica e de gênero no país. A expectativa da família de Tainara, que realizou protestos emocionados durante o sepultamento da vítima, é que a sentença final reflita a gravidade do sofrimento imposto à vendedora em seus últimos dias.

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